IA é perigosa sem regras, diz Comin

A inteligência artificial já elimina postos de trabalho e poderá provocar um colapso econômico e social se avançar sem regulamentação, segundo o presidente do Sinec, Silvio Comin. Ele falou sobre o assunto nesta terça-feira, em entrevista ao Conexão Morena, da Morena FM 98.

Comin afirmou que a transformação de hoje difere da provocada pela Revolução Industrial. Naquele período, as máquinas substituíram principalmente a força física. Agora, segundo ele, a tecnologia também assume tarefas intelectuais. “O que está sendo substituído é o pensamento”, comparou.

O presidente do Sinec citou a redução das vagas para iniciantes. Em sua avaliação, a inteligência artificial já executa grande parte do trabalho atribuído ao nível júnior em diferentes setores. Isso pode interromper o percurso necessário para formar trabalhadores plenos e seniores. “Se a pessoa não consegue entrar no mercado como júnior, não vai chegar a pleno”, afirmou.

Apesar do cenário, Comin não considera que todas as profissões desaparecerão. Ele prevê a permanência dos profissionais capazes de analisar criticamente, validar e corrigir os resultados gerados pela tecnologia. “Não dá para ser mediano”, alertou. Para ele, o avanço da IA aumenta, e não reduz, a importância do estudo.

O entrevistado também comentou o uso do robô humanoide Arcanjo na segurança pública da Bahia. Embora reconheça que a tecnologia representa um caminho sem volta, ele considera precipitada uma eventual entrada do equipamento em situações de confronto antes de uma etapa extensa de testes.

“A inteligência artificial falha e erra”, ressaltou. Comin explicou que os sistemas trabalham com padrões e podem produzir respostas incorretas quando encontram situações diferentes daquelas usadas em seu treinamento.

Como exemplo, mencionou acidentes envolvendo veículos autônomos e erros de reconhecimento facial. Para ele, robôs policiais podem ser úteis na orientação ao público e em outras tarefas, mas exigem limites claros e supervisão humana.

Outro ponto abordado foi a chamada fuga de cérebros. O presidente do Sinec afirmou que o Brasil não consegue reter parte dos seus principais pesquisadores por falta de políticas públicas eficazes e de condições para o desenvolvimento científico. Ele citou o neurocientista Miguel Nicolelis como exemplo de pesquisador brasileiro reconhecido e valorizado por países como Estados Unidos e China.

Comin também observou que as grandes empresas de tecnologia já discutem a criação de uma renda básica universal, diante da possível eliminação de milhões de empregos. Para ele, novas ocupações surgirão, mas não serão suficientes para absorver rapidamente todos os trabalhadores substituídos. “A maioria não vai conseguir se qualificar a tempo”, avaliou.

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sao pedro

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