Progressistas reclamam de apoio a Alcolumbre
A federação União Progressista roeu a corda de Flávio Bolsonaro, na terça-feira (27), dois dias após o candidato do PL perder a eleição presidencial, e declarou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) para presidência do Senado. Mas, internamente, no PP, apesar da assinatura do presidente do PP, Ciro Nogueira, não há consenso, ninguém foi ouvido. Nogueira é acusado de bajular Alcolumbre em busca de “proteção” junto ao regime empenhado em cortar-lhe a cabeça.
Atropelo
Entre progressistas, a queixa é que Alcolumbre escanteou o PP e tratou tudo direto com o presidente do União Brasil, Antônio Rueda. O partido prefere outros nomes, como a viável e admirada Tereza Cristina. Moderada, é de oposição e tem trânsito com o agronegócio.
Reis da narrativa
O senador eleito Rui Costa (PT-BA) elogiou velhinhos de andador e até carregados por filhos e netos para votar “e eleger Lula”. Isso é fantasia. Foram votar como “prova de vida”, pressionados pelo INSS, porque temiam ficar sem suas aposentadorias degradantes na sexta (30).
Passando a boiada
Alessandro Vieira (MDB-SE) chama atenção para as distrações com festas ou viagem de ex-candidatos enquanto rola um mega acordão para reeleger Davi Alcolumbre (União-AP) presidente do Senado.
Salário: R$18,2 mil
Preso na operação “NXIVM”, da Polícia Civil do RJ, contra exploração sexual, Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho é chefe de gabinete de Talíria Petrone (Psol-RJ), que votou contra castração química de pedófilo.
Memória curta
A internet resgatou vídeo que mostra Fernando Haddad (PT) defendendo o boicote, hoje criticado no PT. O ex-ministro de Lula dizia não comprar “nenhum palito de fósforo” de empresas sem certos compromissos.
Eis a reciprocidade
Lula não parabenizou Javier Milei, presidente argentino, após a eleição. Elogiou o processo e instituições, desejou sucesso ao “novo governo”, mas não citou Milei. Não telefonou, nem o cumprimentou pessoalmente.
Flávio tenta liderança à distância, mas
Com a nota divulgada tão logo desembarcou para seu exílio nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro se declarou presidente eleito, denunciando perseguição e fraude eleitoral, e revelou sua tentativa de preservar o patrimônio eleitoral do bolsonarismo, materializado nos quase 60 milhões de votos de domingo (25), mas não será fácil ser líder da oposição, à distância, até porque a primazia será de quem, no Brasil, exercerá a atividade insalubre de enfrentar um regime de crescente viés autoritário.
Tarcísio já sinaliza
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freiras (Rep), candidatíssimo ao Planalto, já adota discurso de quem reivindica a liderança da direita. Após o 2º turno, Tarcísio agradeceu o empenho de Flávio etc., como se a candidatura de 2026 fosse apenas o começo do projeto de 2030.
Correria
Com a nova composição do Congresso prestes a assumir, Lula tenta antecipar votações que tem interesse, como a PEC da Segurança e a indicação de novo ministro ao Supremo Tribunal Federal.
Futuro incerto
Augusto Nardes alertou que o déficit de R$404 bilhões na Previdência ameaça aposentadorias. “Como está, não haverá aposentadoria” o ministro do TCU citou R$326 bilhões em gastos fora do orçamento.
Fenômeno nas urnas
Com 938.496 votos, Michelle Bolsonaro (PL) somou quase 30 mil votos a mais do que Flávio Bolsonaro (909.616) no DF. Contra Lula (PT) a sobra é de 262.869. A diferença supera os 224.224 do deputado federal Fábio Félix (Psol), o candidato mais votado para ocupar a Câmara.
Michelle é opção do PL
Com o relógio correndo contra o tempo, lideranças do PL pretendem aglutinar o bolsonarismo em torno da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Eleita senadora, Michelle foi a política mais bem votada do Distrito Federal, superando candidatos ao governo local, deputados e até Lula (PT) e o enteado Flávio Bolsonaro (PL). No partido, a ideia é, no geral, bem recebida. A esposa de Jair Bolsonaro é vista com personalidade forte, mas menos impetuosa e até mais flexível.
Sem deputados
O PT não elegeu sequer um deputado federal em sete estados; Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima e Tocantins. O PL não emplacou deputados federais em três estados; Alagoas, Piauí e Sergipe.
Regime militar impôs prisão e exílio
Se hoje são políticos como o senador Flávio Bolsonaro, jornalistas, pessoas comuns e até uma juíza, identificados com a Direita, que buscam asilo e proteção dos Estados Unidos, os perseguidos políticos na ditadura militar também eram opositores, mas de esquerda, que o regime buscava neutralizar com acusações improváveis de “subversão”, alguns até mesmo de “terrorismo” contra figuras como os ex-governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes ou o ex-presidente Juscelino Kubitschek.
Objetivo claro
O regime tinha a própria versão da tal “tentativa violenta de abolição ao estado de direito”. Era como conseguia neutralizar opositores incômodos. Brizola, Arraes e JK foram perseguidos, presos e exilados sob a pecha de “subversão” e de “tentativa de quebra da ordem constitucional”.
Modelito ditadura
Lula criticou a saída de Flávio do País com a frase surrada “quem não deve, não teme”. Era exatamente o que alegava o regime militar quando os opositores que perseguia conseguiam chegar ao exílio.
Ódio no coração
Informação que circulou e círculos restritos de Brasília, atribuiu ao próprio Lula (PT) a ordem, ainda durantes os “vivas” pela vitória, domingo, para “prender de qualquer jeito” o rival. Sete minutos após a vitória ser confirmada, o processo foi iniciado, como revelou O Globo de ontem.
Impostos bancam as medidas eleitorais
Agora Lula (PT) tenta arrumar os R$298 bilhões do custo da reeleição, somatório das 35 medidas caça-votos em pleno ano eleitoral, apesar da proibição na Lei da Eleição (9504/97), enquanto o TSE oficial e o paralelo, no STF, fingiam-se de mortos. Dario Durigan (Fazenda), um gozador, mostrou-se mais preocupado com a falta de “racionalidade” da queda recorde da bolsa, de quase 17%, reflexo do pessimismo com a irracionalidade nos gastos e o desprezo petista pelo equilíbrio fiscal.
Some R$27,7 bi
Somente o aumento do Bolsa Família terá impacto de R$22,7 bilhões no ano que vem, e mais R$5 bilhões serão torrados no Desenrola 3. Outro deboche à Lei da Eleição, o transporte gratuito em fins de semana, terá custo estimado em R$12 bilhões no ano que vem.
Sutilezas da guerra
O passaporte apreendido dá a Flávio Bolsonaro meio para alegar perseguição. É investigado por suposta “lavagem de dinheiro” com o advogado Willer Tomaz. Já Eugênio Aragão, sócio de Tomaz há 9 anos, ex-ministro de Dilma e ex-advogado de Lula, não foi incomodado.
Fascismo in natura
Nem 24h após o fim da eleição, o perfil oficial do PT no Paraná ameaçou: “Deltan, vc é o próximo”. Para o senador eleito, o “governo do amor” mostra a verdadeira face: “ódio, vingança e perseguição”.
Reeleição iguala Lula a tiranos
O presidente Lula (PT), reeleito para um quarto mandato à frente da Presidência da República, garantiu que vai passar 16 anos no comando do Brasil, se equiparando a autoritários como Xi Jinping (China), Kim Jong-Un (Coreia do Norte), Valdimir Putin (Rússia) e o amigo do petista Daniel Ortega (Nicarágua). Entre brasileiros, Lula vai ficar atrás apenas de Getúlio Vargas, que chegou a 18 anos no poder.
:: Poder sem pudor
Culpa é de JK
A vidente mineira Leila Alckmin ficou famosa, em 1989, quando previu a vitória do candidato do PL à Presidência da República, Guilherme Afif Domingos. Detalhe: quem teria relatado a ela como seria o desfecho da eleição foi o espírito do falecido presidente Juscelino Kubistchek.
Afif não venceu, sequer foi para o segundo turno, mas a vidente carregava na ponta da língua a explicação para o seu fiasco: “Eu nunca disse que Afif seria o presidente. Quem garantiu isso foi JK”. Ah, bom.
# Coluna do jornalista Cláudio Humberto, do Diário do Poder
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