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cyro de mattos
7.Julho.2026

O andarilho Antônio Nahud Júnior


Estaria cometendo omissão lastimável se falasse na entrevista que a cineasta e escritora Raquel Rocha concedeu ao escritor e jornalista Antônio Nahud Júnior, publicada no blog Cinzas e Diamantes, e nada dissesse sobre o entrevistador. Essa entrevista lúcida e lúdica tem a mão firme de um entrevistador de primeira linha, dotado de instigante habilidade quando o assunto é de natureza literária e cultural.

Antônio Nahud Junior, poeta e ficcionista, nascido em Itabuna, há anos radicado no Rio Grande Norte, é dono de uma escrita sensível e culta. Andarilho do mundo, depois de caminhar com “a inquietude dos olhos purificados”, pela Espanha, Portugal, França, Itália e Marrocos, entre outros lugares além das fronteiras nacionais, entrevistar celebridades, levando suas raízes grapiúnas no coração, fez pouso em Natal.

A maior parte de seus livros é publicada em forma digital, mas é de seu impresso Livro de Imagens, obra que me vem às mãos agora, constituída de uma poética reflexiva com sensações decorrentes da solidão, que nos acompanha desde não sei quando em nosso ser-estar do mundo, que retiro e divulgo agora um de seus poemas curtos.

Crença do artista.

Se a noite é parte do dia

no que devo acreditar:

nesta senhora mendigando nas ruas?

nestes frutos que tombam nas árvores?

Uma quadra, expressa com os tecidos retirados das entranhas do micro, aparentemente de linguagem fácil, instantânea, circunstancial, mas que em sua vibração criativa do verdadeiro poeta aponta para uma direção que fere o ser humano em sua angustiante percepção da existência. Não seria poesia de conteúdo arguto inerente ao artefato não fosse impulsionada pelo poeta que sabe pensar quando se emociona diante do que é indizível.

Anote-se que esse poeta sul baiano também se realiza no poema extenso. Sempre para capturar e provocar reações das coisas que se mostram em silêncio à espera do artista com a sua palavra mítica para despertá-las.

Seus poemas nascem de um vazio, de um lamento, de constatações que provocam emoções, de uma constante busca da solidão do espírito humano. Poesia de boa qualidade em que entram pequenos e grandes momentos, aqueles que sacodem a alma da gente, sem grandiloquência dos heroísmos, nem vulgaridade dos sentimentos, mas com a grandeza da vida.

 

 

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# Artigo do escritor Cyro de Mattos. Autor de 76 livros pessoais, de diversos gêneros. Seis são de crônicas e, entre eles, O Mar na Rua Chile, Finalista do Jabuti, concorrendo com Fernando Veríssimo e Moacyr Scliar, renomado contista, e Alma mais que tudo, Prêmio Sabiá da Crônica da Revista RUBEM.

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