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25.Setembro.2021

30 anos que são mais de 30


Um acontecimento desta semana provocou uma reflexão que quero dividir com voce. No dia 21 a Morena FM completou 30 anos 100% digital, nas músicas e comerciais. Foi a primeira do Brasil e da América Latina. Demorou dois anos para outra no Brasil igualar o feito, a Manchete FM de São Paulo.

Pensando nesses 30 anos percebi que a velocidade com que novas tecnologias foram adotadas e descartadas nesse período é muito maior do que a dos 30 anos anteriores. Por exemplo: o LP e a fita cassette atravessaram de 1960 a 1990 sem ser ameaçados por nenhuma novidade.

De repente, nos próximos 30, foram substituídos pelo CD, que por sua vez se tornou logo obsoleto pelos arquivos de áudio digital. As fitas VHS, que reinavam até o meio dos anos 90, foram enterradas pelo DVD que, um pouco depois, já era substitúído pelos arquivos.

A tv aberta fazia a festa até o meio dos 90. Começou a perder espaço com as tevês por assinatura e, em pouco tempo, ambas iam sendo substituídas por portais de streaming como Netflix e Amazon Prime. Os jornais viram seu público migrar para a edição digital, tornando a impressa quase obsoleta.

No meio desses 30 anos de revolução, surgiu o celular, que substituiu tanta ferramenta que é até difícil lembrar. Ele dispensou o uso de relógio de pulso, despertador, câmera fotográfica, filmadora, lanterna, mapas rodoviários, guia de ruas, rádio portátil, tocador de mp3, previsão do tempo, gravador.

Ele dispensou a ida ao banco para saber o saldo e pagar contas, a restaurantes para comer, calculadora, agenda, o calendário, videogame portátil, os livros de viagem com frases traduzidas, a bússola, o album de fotos, os velhos orelhões, os detectores de radar, o scanner... a lista é imensa.

O avanço da tecnologia afetou meu setor, o de comunicação, mas o rádio só ganhou com isso. Aliás, foi o meio que soube se adaptar e tirar vantagem, ao contrário da tv, que até hoje não sabe o que fazer. Considere a parte do estúdio. Antes, usávamos LPs e cassettes que precisavam de muita manutenção e cuidado.

A Morena FM passou a ter CDs e um Digicart II, usado para produzir e tocar comerciais no lugar dos cassettes. Hoje isso também passou. Usamos arquivos digitais num programa de computador com inteligência artificial, editamos comerciais facilmente no PC e recebemos os lançamentos via internet

Do lado externo, até 1998 toda rádio tinha como ouvintes apenas quem morava ou estava passando pela sua cidade e as próximas. Hoje a Morena FM é ouvida do Canada à China, passando por todo o Brasil e o resto do mundo. Não existem mais fronteiras.

A diferença entre esses 30 anos e os 30 anteriores me fez pensar nos próximos 30. Pelo menos em relação ao rádio.

Considere o seguinte: hoje, enquanto o ouvinte do Brasil ouve o programa A La Carte na hora do almoço, o de Los Angeles ouve às 6h, o de Londres às 15h, o da Russia às 18h, o do Japão, à meia noite.

Eles ouvem a rádio ao mesmo tempo, mas cada um está num momento diferente do dia. Então, como montar uma programação que se adeque a todos eles não importa qual o horário local? Difícil.

A opção é criar pedaços da programação com mais foco em quem está no horário de maior audiência do rádio (manhã e tarde). Por exemplo, em Los Angeles os ritmos preferidos são rock e latino. No período em que eles estão entre 6h e 19h no horário de lá tenho que incluir conteúdo para aquele mercado.

Estou no meio de uma experiência prática buscando uma solução, usando um canal alternativo de streaming, no site próprio morenafmrio.com ou Morena FM/Rio. Pesquisei os ritmos mais ouvidos em cada país e montei uma programação levando em conta cada fuso horário.

Está no início, mas já existem diferenças grandes entre os ouvintes da Morena FM online e da Morena FM /Rio. Na primeira, ouvintes do Canada, Brasil e EUA são maioria. Na segunda, é maior a presença do pessoal da Europa e da Russia, por exemplo.

Tenho mais 30 anos para conseguir fazer isso direito...

# O editorial de A Região, por Marcel Leal.

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