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luiz thadeu
12.Setembro.2026

A arte de escutar; atenção muda vidas


Em tempos surreais, ainda tenho muito a aprender. Todos os dias acordo à espera de coisas novas que me desafiam a adaptar-me aos novos tempos . Em tempo de Inteligência Artificial, IA, e com tecnologias por todos os lados, vejo-me na obrigação de inseri-me no processo para não ficar à parte.

Se tem um aprendizado que eu carrego, é este: As pessoas sempre serão pessoas. A humanidade, a forma de sentir, de reagir, de cometer erros, de ter fraquezas e de viver é rigorosamente a mesma. O tempo passa, as tecnologias avançam, mas essência do homo sapiens continua a mesma.

Tenho visto no meu entorno um grito, às vezes inaudível, de pessoas que clamam por atenção e afeto. As pessoas só querem ser amadas, respeitadas e valorizadas. O resto é história. Na semana passada, no supermercado que frequento, vi uma conhecida, chorando baixinho. Por alguns momentos, hesitei, se deveria ou não aproximar-me e conversar com ela. Finalmente tomei a iniciativa de aproximar-me e perguntar se ela estava bem.

“Não! Estou triste, despedaçada”. Perguntei como poderia ajudá-la? Ela olhou-me com olhos expressivos e marejados. Andamos um pouco e sentamos na cafeteria do supermercado. Sem entrar em detalhes, falou-me que estava triste por escolhas erradas no passado, que afetavam sua vida agora. Nos despedimos, e fiquei a observá-la.

Quantas vivências essa senhora carregava dentro dela. Quantas lágrimas ainda sairiam de seus belos olhos. A verdade é que todos nós temos nossos infernos particulares. Ninguém está livre deles. O que nos diferencia é a maneira como lidamos com isso.

Quando você aprende a olhar para as pessoas: despido de preconceito, de rótulo, de cargo, de posição social, de poder, de riqueza, tudo muda.

Sabe por quê? Porque você para de julgar e começa a acolher. Você para de se afastar e começa a se aproximar. Ninguém é melhor do que o outro; apenas temos pecados diferentes.

Quando você entende que por trás de uma roupa de grife, ou daquela roupa simples, existe alguém que chora, que sente dor, que tem medos e que acorda todo dia querendo melhorar e se livrar do que o atormenta.

Com o tempo aprendemos a não nos assustar com o status alheio e descobrimos que no fundo somos todos iguais: aprendizes tentando acertar. Somos seres em busca constante de afetos e atenção.

No domingo, após um compromisso de trabalho, me encaminhei para o carro. Ao lado, uma Belina marron, muito antiga, surrada, um senhor com as portas abertas. Dei-lhe bom dia. Ele respondeu e perguntou se não gostaria de comprar um saco de petas.

Comprei dois sacos: um para o amigo Marcelo Augusto, que acompanhava-me, outro para mim. Entabulamos conversa, e aquele homem esquálido, levantou a camisa, mostrando o corpo franzino, coberto com uma cicatriz enorme e a bolsa de colostomia. Em quarenta minutos, ouvi-o atentamente narrar sua via crucis.

Contou-me que teve um câncer de intestino; fez tratamento brabo, e estava usando a bolsa. Falou da alegria em estar vivo, trabalhando, provendo a família. Homem simples, que tem somente o dia para viver, e o coração cheio de gratidão. São pessoas com Wandeley que fazem ter fé na humanidade e vê que nem tudo está perdido.

Quando você enxerga a essência das pessoas, você se conecta com o que realmente importa. E é aí que a mágica acontece. Suas relações ficam mais leves, seu entorno fica mais belo; seu ambiente profissional fica mais humano, e você descobre uma paz gigantesca dentro de você.

Ter tempo para ouvir o outro nos engrandece. Quantos estão neste momento querendo, tão somente, quem os ouça.

Se lhe puder dar uma dica, amigo leitor, querida leitora; sempre que possível, faça esse exercício: olhe para além dos cargos, dos títulos e das aparências. Olhe para a pessoa que está ali na sua frente. É isso que transforma vidas, é isso que constrói pontes e é isso que faz você ser inesquecível na vida de alguém.

Pense nisso. Ouça, inspire, expire. As palavras têm poder. A atenção muda vidas.

 

Luiz Thadeu Nunes e Silva, Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante: o latino americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 162 países em todos os continentes da terra. Autor do livro “Das muletas fiz asas”. Membro do IHGM, Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. E-mail: luiz.thadeu@uol.com.br, Instagram: @luiz.thadeu

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