Esquerda rejeita pauta... da esquerda

Nem as pessoas que se dizem de esquerda apoiam as pautas que a extrema-esquerda defende. É o que revela uma pesquisa nacional que foi às ruas perguntar sobre as principais pautas da esquerda sobre gênero, incluindo cotas, presença de travestis em esportes e benheiros femininos.

A primeira supresa foi no termo "mulher trans", que a esquerda usa quando se refere a travestis. A pesquisa, encomendada pela MATRIA – Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil à Ágili Pesquisas idescobriu que só 26,6% sabem que "mulher trans" é um homem que se apresenta como mulher, pessoa que sempre foi chamada de travesti.

A maioria não soube responder ou deu uma definição errada, e o erro mais comum foi achar que o termo se refere a alguém do sexo feminino. “Governo e imprensa falam diariamente em ‘mulheres trans’, mas a pesquisa mostra que uma parcela relevante da população nem sequer entende que se trata de pessoas do sexo masculino".

"Isso necessariamente interfere na forma como essas pessoas se posicionam em relação ao tema”, afirma Celina Lazzari, representante da MATRIA.

Entre os 1.116 eleitores entrevistados, 82,2% são contra o acesso de travestis a banheiros femininos. A rejeição chega a 82,9% quando se trata de presídios femininos e 82,9% no caso de competição em categorias esportivas femininas.

Também é majoritária a oposição à utilização da autoidentificação para acesso às cotas eleitorais para mulheres: 70,5% do eleitorado é contra. A Matria levantgou que nas eleições deste ano há 95 travestis registrados como "candidaturas femininas", para usar a cota financeira eleitoral das mulheres.

Entre os travestis mais conhecidos estão os deputados Érika Hilton e Duda Salabert. A rejeição aos travestis é geral, porém maior entre os eleitores do centro e da direita. Enetre Entre os eleitores de Lula, 68,2% rejeitam o acesso a banheiros femininos, 67,9% a presídios femininos e 72,8% a competições esportivas femininas por travestis. Nas cotas eleitorais das mulheres, a rejeição é de 51,4%.

Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 96,1% rejeitam o acesso a banheiros femininos, 94,4% a presídios, 92,2% a competições esportivas e 87,3% a cotas eleitorais. Entre os eleitores de outros candidatos, a rejeição também é majoritária, variando de 83,9% a 92,8%.

“Os dados mostram que essa não é uma posição circunscrita à direita do eleitorado. Há diferenças importantes de intensidade entre os grupos, mas a rejeição majoritária aparece também entre eleitores de Lula e entre aqueles que não se identificam com a polarização tradicional”, afirma a MATRIA.

O uso de bloqueadores de puberdade e hormônios para crianças e adolescentes cujos pais acham que são "trans" registrou 88,9% de rejeição, o maior percentual entre os seis temas. A rejeição é majoritária em todos os segmentos: 80,1% entre eleitores de Lula, 95% entre os de Bolsonaro e 92,2% entre os outros.

A II Pesquisa Nacional de Opinião da MATRIA foi realizada pela Ágili Pesquisas entre 17 de junho e 2 de julho, com 1.116 eleitores, por entrevistas telefônicas (CATI), em amostra representativa do eleitorado. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.

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sao pedro

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