Dino gera crise inédita dentro do STF
Levantamento feito pelo Instituto Meio/Ideia mostra que metade do país não confia no STF. Um dos motivos é a bagunça judiciária, que começou em 2018 com a eleição de Jair Bolsonaro e virou um vale tudo onde leis são ignoradas, a Constituição rasgada e as liberdades ofendidas todo dia.
Na terça-feira à tarde, o ministro André Mendonça afastou do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues e o chefe da Diretoria de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, por espionar ilegamente ele e o advogado geral da União, Messias.
O afastamento foi levado à Segunda Turma, que já tem os votos necessários para confirmar, apenas aguardando Gilmar Mendes, que pediu vistas porque "não teve tempo para analisar" mas foi flagrado em um casamento na Itália no dia seguinte.
Na mesma quarta-feira, o ministro Flávio Dino fez o impensável, nunca visto no STF: cassou a decisão de outro ministro, num inquérito em que ele não é relator, contrariando a decisão colegiada. O ato gerou revolta em ex-ministros do STF e em entidades como a OAB.
Nos bastidores, os ministros Luiz Fux e Nunes Marques se reuniram, em caráter de urgência, com o presidente da Corte, Edson Fachin, para denunciar que estão sendo perseguidos e ameaçados por uma estrutura paralela de inteligência da Polícia Federal.
Eles relataram ter recebido "recados" de que suas rotinas e as dos filhos seriam alvo de devassas caso manifestassem apoio ao ministro André Mendonça. Fux e Nunes Marques suspeitam que vazamentos recentes à imprensa sobre os escritórios de advocacia de Rodrigo Fux e Kevin de Carvalho Marques tenham sido abastecidos ilegalmente pela corporação.
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