Teatro Vila Velha chega a 62, renovado

Uma das características mais marcantes do Teatro Vila Velha, no Passeio Público, Centro de Salvador, é a arquitetura da sala principal, onde o palco, em formato de arena, pode ser adaptado de acordo com a demanda de cada espetáculo. Esse é um traço marcante do teatro, que completou 62 anos na sexta.

A Prefeitura buscou preservar a essência do Vila Velha na grande revitalização que está sendo feita no edifício que abriga o teatro, inaugurado em 1964. A previsão é de que o espaço seja reaberto ainda neste mês, pronto para caminhar com qualidade até o centenário.

Todas as características marcantes do teatro, que tornam o Vila um equipamento único no Brasil, foram mantidas, reformadas e modernizadas. O Café Cabaré dos Novos, por exemplo, local icônico de encontro entre artistas e o público, recebeu nova iluminação e acústica.

Agora, será possível fazer apresentações, como voz e violão, por exemplo, com muito mais qualidade. Já a sala de ensaio Mário Gusmão está mais ampla, recebendo piso e forro novos. A área de oficina também foi reformada, assim como o Centro de Pesquisa e Memória do Teatro Vila Velha, que salvaguarda mais de 1 milhão de textos, fotografias e figurinos históricos.

A reforma também alcançou o gradil e os praticados de onde a plateia assistiu a espetáculos históricos, como Cabaré da Rrrrraça (1997), Um Tal de Dom Quixote (1998), Ó Paí, Ó (1992), Por que Hécuba (2014), A Tempestade (2019), entre outros sucessos.

O projeto de modernização foi elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF). A presidente Tânia Scofield destaca que o arquiteto e urbanista alemão Carl Von Hauenschild, responsável pela versão original, está participando da revitalização junto com os arquitetos Nivaldo Andrade e Alexandre Prisco.

“Temos um teatro de tradição e de extrema importância para a cidade. O que fizemos no projeto foi uma adequação às demandas contemporâneas, como garantir acessibilidade universal, equipamentos mais modernos e tecnologias mais avançadas para melhoria da acústica, da iluminação e dos outros elementos do teatro, preservando sua identidade e as características originais”, afirma Tânia.

Agora, o Vila Velha terá elevadores e um plano atualizado contra incêndio, além de banheiro e camarim para deficientes. Com as novas tecnologias de iluminação, climatização e acústica, foi necessária uma reforma em toda a rede elétrica, com a montagem de uma subestação mais moderna.

A bilheteria foi transferida do subsolo para o térreo, o que vai facilitar o acesso do público, principalmente para quem tem deficiência de locomoção. O prédio ganhou uma área administrativa moderna e equipada. O Passeio Público também está sendo recuperado, mantendo o desenho original.

O diretor do teatro Márcio Meirelles diz que "mesmo estando fora de casa, o Vila Velha continua presente no cenário nacional e internacional. Através de inúmeras ocupações, projetos e apresentações, nesses últimos anos, tanto no Brasil quanto em Portugal com a campanha O Vila Ocupa a Cidade”.

“Voltaremos com o nosso prédio requalificado pela Prefeitura de Salvador, de braços abertos, convidando a sociedade e os artistas a andarem juntos com a gente, com as suas propostas, ocupações, espetáculos, eventos e ações das mais diversas linguagens," completa Meirelles.

A última vez em que o Vila Velha passou por uma reforma foi em 1994. Naquela ocasião, quando completou 30 anos, o teatro passou por uma reforma, de fato. Existia, portanto, a necessidade de um projeto mais a fundo, que atualizasse o equipamento para o século XXI.

Meirelles contou que a ideia da obra surgiu de maneira inusitada: foi durante uma reunião na Prefeitura para discutir a criação de um cinema. O prefeito de Salvador, Bruno Reis, visitou o teatro, viu de perto os problemas do equipamento e optou por fazer uma requalificação completa.

O Teatro Vila Velha foi criado em 1964, entre julho e outubro daquele ano, tendo como marco de sua fundação o dia 31 de julho. O Brasil vivia o começo do governo militar quando um grupo de alunos dissidentes da Escola de Teatro da Ufba, liderados pelo professor João Augusto, decidiram abrir o espaço. No local, se discutiam e praticavam ideias que contrariavam a época.

Logo, o espaço se tornaria um símbolo da contracultura, do tropicalismo e da contestação que marcaram a cena cultural brasileira na época. Os artistas baianos da Tropicália tiveram grande papel na formação do teatro, sendo o show “Nós, Por Exemplo…” um momento marcante.

Nos 60 anos seguintes, o teatro se transformou em referência para muitos artistas. Passaram pelo palco atores como Lázaro Ramos, Wagner Moura, Virgínia Rodrigues e Othon Bastos, além de coletivos como Novos Baianos, Bando de Teatro Olodum, Viladança, Cia. de Teatro Novos Novos e VilaVox.

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sao pedro

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