Delegado expõe segurança precária na BA

O delegado Arthur Gallas saiu da polícia da Bahia para lutar pela segurança como deputado federal, se candidatando pelo Republicanos. Em entrevista à Morena FM, no programa Conexão Morena, ele deu o exmplo da questão carcerária em Itabuna, "um sistema que está estrangulado há muito tempo".

"Itabuna tem um policial penal pra cada 400 presos. Só pra você ter uma ideia, o normal é um pra 10, um pra 20, aí tem um pra 400, então o sistema carcerário na Bahia está totalmente defasado e isso leva, por exemplo, a decisões da justiça de não deixar o criminoso preso por conta da superlotação".

"Há pouco tempo, em Salvador, foram presos três elementos que mais praticam roubos na orla de Salvador. Um deles foi preso pela 55ª vez e chegou na Polinter afrontando a imprensa, fazendo o gesto da facção que ele era ligado e dizendo que no dia seguinte ia pra rua de novo," contou.

Para Gallas, é preciso fazer uma revisão geral da lei de execuções penais, um alinhamento com o Judiciário e o Ministério Público para evitar que situações como essa aconteçam. "Um elemento desse tem que ter a certeza que, quando ele for pego, vai ficar preso por 10, 20 anos e num regime duro".

"É esse medo que faz com que o cidadão pense duas vezes antes de cometer um crime," declarou ao host Oziel Aragão. "É o chamado freio moral, o receio que o cidadão tem de ser alcançado pelo Estado. Se a gente tem uma lei fraca, um Estado que não tem condições de atender essa demanda, o criminoso faz uma análise estratégica e ele diz que vale a pena cometer o crime".

Com 30 anos de experiência na Polícia Civil, Arthur Gallas chamou a tenção também para a questão estrutural. "A Bahia hoje tem menos de 50% do efetivo que deveria ter por lei. A Polícia Civil deveria ter 11 mil integrantes, mas hoje tem em torno de 5 mil, levando a uma sobrecarga de trabalho".

A situação fica pior porque o salário da polícia no Brasil é o pior do Brasil. Isso tem levado policiais e delegados da Bahia a mudar para trabalhar em outros estados, ganhando mais e sem sobrecarga. "Não adianta mais fazer concurso na Bahia, porque com dois anos metade já foi embora".

"Eu acho que a decisão política é fundamental. A gente vê exemplo de outros estados, como Goiás, em que o governador puxou pra si a responsabilidade, assumiu diretamente o problema e conseguiu reverter; Quando ele assumiu o governo lá, a primeira coisa que ele fez foi aumentar o salário," disse.

Gallas lembrou que há anos a Bahia é campeã de homicídios. Por causa do baixo contingente, a quantidade de mortes solucionadas também é baixíssima. "Se um estado tem pouco homicídio, uma polícia com efetivo bom, bem remunerado, todo mundo motivado, se acontece um homicídio, o foco total, praticamente, é para resolver aquele homicídio".

"Aqui na Bahia não. A gente tem um quantitativo gigantesco de crimes, não só homicídio, mas tráfico, roubos... é tanta coisa para se resolver, que aquele crime não tem a menor condição de ser elucidado, por conta dessa sobrecarga, dessa quantidade exagerada de ocorrências," explicou.

Gallas observou que o normal é o bandido ter medo de ser pego e ficar muitos anos presos, sem regalias. Ele vai pensar duas vezes antes de cometer um crime. "Na Bahia a situação está invertida. Quando se faz mutirão aqui, é para soltar preso. Soltar preso na Bahia é tido como positivo".

"Na minha visão não é positiva. Você gera um dano nas famílias que são vítimas, porque você está dando indulto de dia dos pais, como agora, quando centenas de milhares foram soltos, gente que cometeu crimes graves e boa parte não volta para cadeia, ou seja, a justiça não está sendo feita".

Arthur Gallas defende que o estado fortaleça a investigação especializada em todas as delegacias, ao invés de criar específicas, que nunca serão em número adequado para a demanda. "Não dá para ter Dean ou DHPP em cada município, por isso a demanda nunca será atendida".

"A Bahia tem 417 municípios e não tem 30 unidades especializadas voltadas para a mulher, sendo que boa parte são núcleos não são nem delegacias. A gente tem três delegacias em Salvador, criadas em 2003, há 23 anos, que até hoje não foram implantadas. Elas dividiriam grandes áreas da capital".

Oziel perguntou sobre a decisão de se candidatar a um cargo político, depois de exercer cargo como o de chefe de gabinete do vice-governador Geraldo Jr. Gallas explicou que foi convidado porque já se conheciam e ele precisava de alguém da polícia para a função. Mas não se adaptou.

Gallas conta que foi convidado a ser candidato a deputado federal pelo grupo de ACM Neto. "Eu optei por esse caminho em razão dos princípios que eu sempre prezei, que é a preservação da família, o trabalho árduo, fazer a coisa da forma como tem que ser, uma linha dura, realmente de punição".

O delegado encerrou falando da valorização dos policiais. "ACM Neto tem dito, em todos os momentos, que o primeiro ponto que ele vai abordar é puxar o problema diretamente pra ele, enquanto governador, e vai atacar a questão valorizando o trabalho dos policiais, respeitando os policiais".

Oziel arremataou: "quem é do meio, quem está dentro do problema, que sabe o que está acontecendo, fica muito fácil. E todos esses gargalos que foram falados aqui pelo delegado Arthur Gallas, eles são fatos, eles existem, estão aí de público notório. E parece que é uma demanda gigante para se resolver".

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sao pedro

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