Band: Neto pergunta, Jero não respode
O primeiro debate na Bahia, promovido pela Band com mediação da itabunense Carolina Rosa, parecia um monólogo, de alguém fazendo perguntas a uma parede, sem ser respondido. ACM Neto perguntava, Jerônimo respondia tratando de outro assunto, nunca respondendo a questão.
Essa foi a marca do debate entre Jerônimo Souza (PT) e ACM Neto (UB), que também teve Ronaldo Mansur (PSOL) que, basicamente, atuou como auxiliar do petista e não apresentou nenhuma proposta. Sua atuação foi de ataques a Neto e defesa do governador.
Neto cobrou Jerônimo sobre o aumento da violência, a fila da regulação, a péssima educação, mas o petista rebatia perguntando sobre ações de 20 anos atrás nos governos carlistas. Ou atirava números como ter "inaugurado 15 hospitais". Não resolveu. A fila da regulação continuou matando.
ACM Neto perguntou se "não lhe toca, como governador, saber que tantas pessoas estão morrendo no estado? Quem morre vítima da violência ou da fila da regulação são justamente os mais pobres. O senhor transfere a responsabilidade que é sua".
"Peço que manifeste solidariedade à família de Maria das Neves, de Valença, que morreu sem conseguir uma vaga de UTI, e à família de Zuleide, de Juazeiro, vítima de bala perdida. Depois de quatro anos do seu governo, temos mais gente morrendo pela violência, pela fila da regulação e jovens tendo o futuro sacrificado. Eu fui testado e aprovado. O senhor foi testado e reprovado", afirmou.
Sempre que era perguntado sobre regulação, segurança e educação, o governador deixava de responder para desviar o foco falando de outra coisa. Ao ser questionado sobre um buraco na BR-324, por exemplo, preferiu falar de sua "origem pobre" e do fato de "ser negro e indígena". Neto rebateu.
"Não é preciso nascer onde o senhor nasceu para conhecer a dor dos mais pobres. O senhor prometeu resolver os problemas da Bahia e o buraco continua lá. O senhor também prometeu a Ponte Salvador-Itaparica. Tirou foto com seus candidatos, mas até hoje não há uma estaca fincada," disse Neto.
"O senhor tenta se fazer de vítima, mas vítimas são os jovens que perdem a vida para a violência e as pessoas que morrem aguardando atendimento na regulação", declarou.
Nas considerações finais, Neto perguntou "será que Jerônimo merece mais quatro anos? Será que entregou tudo o que prometeu? Será que os baianos precisam continuar convivendo com a violência, a fila da regulação, a pior nota da educação do Brasil e obras que nunca saem do papel?"
"Quero ser governador para chamar essa responsabilidade para mim e deixar um legado de transformação na Bahia, assim como fiz em Salvador. Tenho compromisso com a minha palavra, com a minha história e com o povo que eu amo", declarou. "Quero ver a Bahia grande novamente".
O deputado Leandro de Jesus criticou a "fuga" de Jerônimo ao não responder as perguntas. “Um dos temas que mais preocupam a sociedade é segurança pública e o governador simplesmente disse que este é um problema internacional. É absurdo e vergonhoso. Foge da responsabilidade".
“O que vimos neste debate foi justamente um jogo combinado entre dois candidatos da esquerda e a tentativa de fuga de embate com Neto. Ficou nítido isso. Jerônimo é despreparado e precisa ser demitido do cargo urgentemente pelos baianos”, arrematou.
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