Sampa para e festeja Maurício de Souza
O Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, deixou de ser apenas palco dos grandes desfiles carnavalescos para se transformar, no domingo, em um enorme gibi aberto sobre a história de Mauricio de Sousa, que completou 90 anos com várias homenagens na cidade.
Um público estimado em cerca de 30 mil pessoas, entre elas crianças, pais, avós e fãs de diferentes gerações, acompanhou um espetáculo inédito e gratuito promovido pela Prefeitura de São Paulo para celebrar os 90 anos do criador da Turma da Mônica, uma homenagem à altura de um artista cuja obra atravessou gerações e incentivou milhões de crianças à leitura.
Inspirado nos grandes cortejos populares brasileiros, o Desfile Mauricio 90 reuniu mais de 400 artistas, bailarinos, performers e personagens em uma narrativa que percorreu a vida e a obra do cartunista.
Carros alegóricos monumentais, trilha sonora original, efeitos visuais, chuva de papéis coloridos, esculturas gigantes e personagens que ganharam vida transformaram a avenida em um espetáculo que emocionou o próprio homenageado e o público do início ao fim.
O desfile é parte da série de ações comemorativas que a Prefeitura preparou para celebrar o legado e os 90 anos do artista. Leia mais abaixo.
"Maurício é um garoto que veio para São Paulo para crescer, se desenvolver e buscar oportunidades. Essa é a história de muita gente que construiu esta cidade. Mauricio representa esse espírito empreendedor e criativo que faz parte da alma paulistana. Parabéns pelos seus 90 anos e por esse legado maravilhoso", afirmou o prefeito Ricardo Nunes.
O desfile começou com o carro alegórico "Eu tive uma ideia", conduzindo o público às origens da trajetória do artista. A narrativa apresentou o menino sonhador que deixou Mogi das Cruzes para construir sua vida em São Paulo, relembrou o período em que atuou como repórter policial e mostrou os inúmeros desafios enfrentados até conquistar reconhecimento nacional.
As alas seguintes reconstruíram diferentes capítulos dessa história. Vó Tita surgiu representando as memórias da infância; outra ala simbolizou os muitos "sins" e "nãos" recebidos ao longo da carreira; o processo criativo de Mauricio ganhou forma por meio de artistas que representavam seus desenhos tomando vida, enquanto personagens como Papa-Capim, Jurema, Zé Lelé, Chico Bento e Rosinha lembravam a riqueza do universo criado pelo cartunista e sua capacidade de retratar diferentes Brasis.
O tradicional Bairro do Limoeiro também ganhou espaço especial antes da entrada daquele que se tornou um dos momentos mais aguardados da noite.
Com quatro pavimentos, árvores giratórias, páginas gigantes de gibis em movimento e um enorme Sansão dominando a estrutura, o carro alegórico da Turma da Mônica arrancou aplausos da plateia.
Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Milena, Dorinha, Luca, Nimbus, Do Contra, Jotalhão, Horácio, Jaiminho e tantos outros personagens faziam suas tradicionais travessuras enquanto uma gigantesca fatia de melancia lembrava imediatamente a inseparável Magali.
Logo atrás, o irreverente Louco caminhava entre o público em uma ala inspirada no universo circense, aproximando ainda mais os personagens das famílias presentes.
Na sequência, a turma do Penadinho levou humor e fantasia para a avenida antes que um novo carro mostrasse diferentes fases da Turma da Mônica — da infância à adolescência — demonstrando como os personagens acompanharam também o crescimento de seus leitores ao longo das décadas.
Um gigantesco Sansão inflável deitado na avenida reforçava a dimensão do espetáculo, enquanto o estandarte com a frase "Onde tiver história para contar, a gente vai estar" sintetizava o espírito da celebração.
O encerramento reservou um dos momentos mais emocionantes da noite. Em um carro alegórico de quatro andares, concebido como um enorme gibi aberto, Mauricio de Sousa percorreu a avenida ao lado da família, acenando para o público sob aplausos. A alegoria revisitava sua trajetória, exibindo desde os primeiros esboços da personagem Mônica até fotografias do cartunista desenhando nos estúdios, em uma celebração de sua vida e de seu legado.
Enquanto o carro passava pela avenida, uma explosão de fitilhos coloridos cobriu o Sambódromo, arrancando aplausos e lágrimas do público. Aos poucos, os espectadores foram convidados a deixar as arquibancadas para caminhar atrás da última alegoria, transformando o encerramento em uma grande celebração coletiva. Muitos deles, entre crianças e adultos, dançavam e pulavam na avenida.
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