Revelações da PF complicam Wagner
A linha do tempo traçada pela Polícia Federal que resultou na batida policial nos endereços do líder de Lula da Silva (PT) no Senado, Jaques Wagner (PT), mostra que, quando o presidente petista recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro em segredo, fora da agenda, o senador e Augusto Lima, sócio de Vorcaro e também alvo dos federais, já mantinham frenética troca de mensagens com negociações milionárias.
Uma delas foi a “compra” de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, que para a PF foi propina paga ao líder do governo Lula (PT). Wagner alega que combinou que Lima compraria o imóvel e depois o petista recompraria na mão dele, uma explicação que só aumenta as suspeitas pelo inusitado.
Mas Wagner não mora nele, alega que seria para uma filha. A residência do senador do PT fica na Mansão Victory Tower, no Corredor da Vitória, o metro quadrado mais caro de Salvador. Apartamento como o de Wagner pode custar mais de R$ 20 milhões, com píer privativo e teleférico.
"Difícil é explicar como um sindicalista do PT, que chegou na Bahia com a mão na frente e outra atrás, acumulou patrimônio milionário na política. O líder de Lula disse que seria para sua filha o tal apê de R$ 2,5 milhões, de 203 m², praticamente uma quitinete para os padrões de luxo do petista", comentou o jornalista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
A reunião de Vorcaro, Lula e Lima aconteceu em 4 de dezembro de 2024. Oito dias antes, Wagner e o banqueiro trocavam mensagens sobre o imóvel. Rui Costa (ex-Casa Civil) também esteve na reunião. Wagner era seu secretário na Bahia quando o Credcesta entrou nos negócios do Master.
Em agosto daquele ano, Lima e Wagner fizeram uma chamada de 9min19. Foi quando a “Emenda Master” foi apresentada depois que Lima mandou o link ao senador. Enquanto a PF revirava a casa de Wagner atrás de provas da mutreta, Lula ligou para o baiano para, diz ele, manifestar “solidariedade”.
Durante as buscas, a PF apreendeu num imóvel de Wagner uma grande quantidade de relógios de luxo que, se originais, somam valor acima de R$ 2 milhões. Também havia R$ 480 mil em dólares (55 mil) e euros (38 mil). A explicação do senador para o dinheiro causou risadas entre os agentes.
Segundo Wagner, essa montanha de dinheiro em espécie, em moeda estrangeira, foi de "reembolso do Senado". A alegação ofende a inteligência de qual quer pessoa. Todo ressarcimento pago pelo Senado é feito em moeda nacional na conta bancária do parlamentar. É lei e não existe exceção.
Moeda estrangeira e relógios de luxo são comumente usados por quem sonega ou faz lavagem de dinheiro, pela facilidade de transporte e ocultação. Matéria de A Região com Diário do Poder.
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