Jaques Wagner é alvo de operação da PF
A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A nova etapa teve como alvo pessoas e empresas suspeitas de atuar na ocultação e movimentação de recursos ligados ao grupo investigado.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília e Salvador. Líder do governo Lula da Silva no Senado, Jaques Wagner (PT), é um dos alvos da operação, que cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, São Paulo e no DF.
Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte. Segundo a PF, eles foram usados para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento de dinheiro ilegal do esquema do banqueiro Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços de Wagner (PT). O valor, que equivale a R$ 480 mil, foi encontradas em Brasília e na Bahia. Um apartamento de R$ 2,5 milhões, em Salvador, passou a integrar o foco das investigações.
O imóvel foi transferido para Bonnie de Bonilha, nora do senador Jaques Wagner (PT-BA), casada com seu afilhado Eduardo Sodré. A operação é considerada pelos investigadores parte de um conjunto de transações suspeitas que podem ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal afirma, em relatório ao Supremo Tribunal Federal, que Jaques Wagner (PT) recebeu diversas vantagens econômicas indevidas de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, em troca de ajuda aos negócios do empresário. Ele usava, por exemplo, os jatinhos do banqueiro como "táxi".
Os voos eram liberados de graça para Wagner, sempre que ele pedia. As aeronaves eram de Augusto Lima, que comprou o CredCesta a "preço de pai pra filho" quando Wagner era governador da Bahia. Pagou só R$ 10 milhões e transformou na base de todo o esquema de consignados de Vorcaro.
A PF aponta ainda outrois mimos, como o recebimento de ingressos para shows no exterior. Em, 2023, por exemplo, Augusto Lima "teria orientado sua secretária a adquirir ingressos em favor de familiares de Jaques Wagner para um show em Los Angeles ". Os ingressos custaram R$ 63.339.
O pagamento pela atuação de Jaques Wagner em favor de Vorcaro e Lima também envolveu, segundo a PF apurou, uma transferência de propina de R$ 3,5 milhões enviada por empresa de Augusto Lima para a de Bonnie, a BN Financeira. O marido Eduardo cobrava Augusto por pagamentos pendentes.
Uma modalidade de crédito predatório criada pelo PT da Bahia como mecanismo voraz de endividar servidores e idosos e enriquecer banqueiros está no centro dessa investigação. Depois que Wagner vendeu a Ebal (com o CredCesta) a Lima, Rui Costa (PT) baixou decreto escravisando os servidores.
Eles passaram a ser impedidos de migrar os empréstimos para outra instituição (contrariando a lei) e aumentou o limite de endividamento para 70%. Lima é amigo do senador petista, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso pela maior fraude financeira da história.
O relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) já denunciou o Credcesta durante a investigação do roubo bilionário a aposentados do Brasil. Em maio, ele citou “risco de endividamento permanente dos aposentados, os juros mais altos em relação ao consignado tradicional e o potencial de uso abusivo por parte dos bancos”.
Não bastassem as suspeitas, a modalidade de crédito criada pelo PT da Bahia foi contemplada no Desenrola 2, programa instituído neste ano eleitoral por Lula para combater o superendividamento dos brasileiros. A alta rentabilidade para os bancos foi preservada, apenas reduzindo de 45% para 40% a margem total do benefício a ser consignada.
A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que o senador não possui participação nos negócios investigados. Os advogados também sustentam que não há elementos que vinculem o parlamentar a eventuais ilícitos praticados por terceiros. Com Diário do Poder
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