Conquista resgata história do São João

No mês em que se comemora o São João, a Prefeitura de Vitória da Conquista relembra, por meio do Arquivo Público Municipal, a história dos antigos festejos juninos. O arquivo expõe fotografias, periódicos, livros e jornais acerca da celebração na cidade.

Segundo a edição de 1982 do periódico O Prelo, as tradicionais fogueiras eram acesas pelos camponeses que viam, no fogo, um elemento mágico que acabaria com as pestes e as pragas das lavouras. A tradição conta que, no nascimento de São João, a sua mãe, Isabel, mandou que uma fogueira fosse acesa na parte mais alta de um monte para dar as boas-novas à sua prima, Maria.

A folclorista Hildegardes Vianna afirma, na coluna do periódico O Prelo, que o costume das fogueiras foi trazido pelos portugueses, por padres jesuítas que introduziram os festejos juninos no sertão baiano. Como os indígenas adoravam o fogo e viam, nos folguedos, motivos de grande alegria para a sua alma ingênua e simples, os padres acreditavam ser essa a melhor época para catequizá-los.

Na Joia do Sertão Baiano, a culinária do São João misturou o legado português com o dos indígenas. Ao visitar o município, por volta de 1817, o Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied relatou que quando os indígenas Mongoiós faziam uma boa caça, eles dançavam e bebiam, ao longo de toda a noite, em volta do fogo e de um recipiente que continha uma espécie de licor.

Eentre as tradições era costume, nas praças de Conquista, ouvir as adivinhações e prognósticos para o ano seguinte. Como também acompanhar e, quem sabe, participar das famosas quadrilhas e dos jogos de cabra-cega, quebra-pote, correio do amor, pau de sebo ou pular a fogueira com os vizinhos.

O bibliotecário Fábio Freitas diz que “ao preservar as tradições, temos o material para que ele possa ser compreendido ou pesquisado no futuro. Isso fortalece o elo entre a população de Vitória da Conquista e a sua própria história, garantindo que ela nunca seja esquecida e que os artistas regionais recebam o devido reconhecimento”.

Os festejos eram movidos pelas grandes quadrilhas organizadas pelos moradores dos próprios bairros, como no Bairro Brasil, Alto Maron, Patagônia, Recreio, entre outros.

Os famosos barracões eram montados nas praças dos bairros, onde os moradores locais se reuniam para dançar embalados pelo som dos trios pé-de-serra. Isso era comum na década de 80 a 90, sendo os mais famosos o da Praça da Saudade, da Sá Barreto, o Camponesa e o Guanambi.

Durante as festas, os acordes ressoados pela sanfona se consagraram como o símbolo do São João conquistense. Através da musicalidade do forró autêntico, a memória cultural da região é preservada, sendo os sanfoneiros os guardiões da identidade nordestina e dos festejos juninos.

Para o coordenador do Conservatório Municipal de Música, Daniel Novaes, o fole da sanfona funciona como um coração que dá vida à musicalidade junina. “O forró pé-de-serra é um patrimônio cultural. Ele conta histórias, preserva costumes e transmite valores de geração para geração. Quando ouvimos o som da sanfona, imediatamente somos transportados para as memórias afetivas".

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sao pedro

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