Vitória transforma abrigo em "um lar"

Os relatos dos adolescentes que moram no Centro de Vivência 6, de Vitória, sobre a reforma que o espaço recebeu revelam a profundidade do impacto social da mudança. A unidade, que acolhe adolescentes de 12 a 18 anos, passou por um processo de revitalização e troca de móveis.

A reforma foi comemorada pela equipe que atua no espaço, que fez questão de convidar a prefeita Cris Samorini, a secretária de Assistência Social, Carla Scardua e representantes da Defensoria Pública e do Ministério Público para participar do momento "pra lá de especial".

A adolescente H., de 14 anos, recorda o impacto inicial, já que chegou ao local antes da reforma. "Sinto-me melhor do que em casa. O ambiente influencia nossas emoções e essa mudança foi fundamental", afirma. "Hoje posso dizer que tenho um lar, algo que nunca tive. Estou em um ambiente seguro".

A sensação de segurança e acolhimento é compartilhada por N., também de 14 anos. "Com certeza é melhor do que muita casa. Na quadra, eu posso sonhar em ser jogador de futebol, mas a equipe também está abrindo portas para eu pensar em outras profissões", revelou.

Já para E., de 13 anos, o refúgio é a biblioteca. "É um espaço fresco e agradável. Mas tudo melhorou: a TV na sala, a organização dos quartos", disse. "Antes, eu ouvia que era uma decepção, não podia expressar meus sentimentos nem minha religião. Aqui, dizem que sou importante e que trago alegria".

Ela destacou ainda o acesso básico à alimentação. "Tenho cinco refeições por dia; antes, comia no máximo duas. Agora estudo e sonho em ser atleta ou artista".

A secretária Carla Scardua diz que "quando oferecemos um espaço digno, limpo e estruturado, enviamos uma mensagem a esses adolescentes, de que eles são prioridade. O acolhimento humanizado também passa por um espaço que promova bem-estar e convivência".

A prefeita Cris Samorini reformou o compromisso de "garantir que esses adolescentes se sintam em casa e tenham seus direitos integralmente respeitados. Ver o brilho nos olhos e a retomada dos sonhos desses adolescentes é a prova de que investir no social é o caminho para uma Vitória mais justa".

Segundo o coordenador Aguilar Souza, a revitalização física é só parte de uma mudança mais profunda. Desde 2024, o CV6 vem adotando assembleias e escutas, dando voz aos jovens na organização da rotina e do espaço aonde residem.

"Isso define uma nova metodologia de trabalho, de portas destrancadas e participação coletiva à autonomia e protagonismo no próprio processo de proteção. O espaço renovado é o alicerce para novas práticas pedagógicas que priorizam o acolhimento humanizado", afirmou.

"Hoje, os adolescentes têm maior liberdade para o deslocamento desacompanhado até a escola e demais atividades. Nos últimos seis meses, quatro dos acolhidos ingressaram no programa Adolescente Aprendiz, garantindo os primeiros passos rumo à autonomia financeira", contou.

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sao pedro

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