Itaú rouba clientes há mais de 14 anos

Uma investigação envolvendo o Itaú trouxe à tona um esquema de cobranças indevidas nos cartões de crédito de milhares de clientes ao longo de mais de uma década. O roubo apareceu durante um acordo do banco com o Ministério Público de Minas Gerais, em uma ação coletiva.

Ela descreve práticas de “extrema má-fé” contra os clientes. Segundo a ação, o banco incluía mensalmente pequenos valores nas faturas dos cartões, como seguros e serviços que não foram contratados. As cobranças apareciam sob nomes genéricos e obscuros, para não ser descobertos.

O Itaú usava rubricas como “Seguro Proteção Especial”, “Super Seguro Tranquilidade Total”, “Seguro Renda Premiada” e “Proteção Perda e Roubo” para roubar seus correntistas. Para o Ministério Público, a estratégia tornava difícil identificar qual empresa cobrava e impedia o cancelamento.

A investigação sustenta que o modelo foi aplicado de forma sistemática e atingiu não só correntistas do Itaú, como usuários de cartões administrados pelo banco em parceria com varejistas, montadoras, companhias aéreas, empresas de telefonia, redes de lojas, postos e programas de fidelidade.

A ação observa que muitos consumidores acabavam pagando os valores indevidos por medo de juros e multas no cartão de crédito. Como os lançamentos apareciam diretamente na fatura, os clientes temiam deixar de pagar e depois ser penalizados.

Os documentos também relatam dificuldades enfrentadas por consumidores que tentaram cancelar os serviços. Em alguns casos, segundo a investigação, o banco prometia interromper as cobranças, mas os valores continuavam aparecendo nas faturas dos meses seguintes.

Há ainda registros de cobranças feitas em cartões que sequer haviam sido desbloqueados ou utilizados. Apesar do acordo com o MP, o modelo de ressarcimento gerou críticas. Por ele, apenas consumidores que registraram reclamações formais até dezembro de 2025 terão devolução.

Além disso, os clientes terão de provar que não contrataram os serviços cobrados, mesmo após o reconhecimento da prática pelo próprio banco. Provar uma negativa será quase impossível, de certa forma "premiando" o Itaú, que devolverá, efdetivamente, só uma pequena parte do roubo.

Os especialistas em defesa do consumidor dizem que as exigências impostas criam obstáculos significativos para que vítimas consigam recuperar o dinheiro roubado. Quem só descobrir as cobranças depois do prazo estabelecido, por exemplo, poderá ficar sem o ressarcimento. Com informações da Revista Timeline.

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sao pedro

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