Deputado usa Hospital de Base para "lacrar"
Mais uma vez o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães volta ao centro do debate político regional. A morte do jovem Igor Ferreira, ocorrida no dia 25 de abril, sob suspeita de negligência hospitalar, recolocou o “Base” no epicentro de mais uma guerra de narrativas.
O caso rapidamente passou a ocupar espaço central no debate político local. O deputado estadual Diego Castro divulgou vídeos nas redes sociais denunciando problemas estruturais, dificuldades no atendimento e suposta falta de medicamentos na unidade hospitalar.
Segundo o parlamentar, a situação encontrada durante fiscalização seria “grave”. As declarações provocaram forte repercussão política e institucional.
Na terça-feira (5), a Câmara de Itabuna trouxe o tema como um dos principais debates da sessão plenária. O debate expôs uma preocupação comum entre os parlamentares: a sobrecarga estrutural enfrentada pelo Hospital de Base.
Durante a sessão, vereadores destacaram que o hospital, embora municipal, atende demandas de toda a região sul da Bahia. Parlamentares também discutiram questões relacionadas à regulação do SUS, ao fluxo de pacientes vindos de municípios pactuados e aos custos elevados de manutenção da unidade.
Parlamentares ainda alertaram para o risco de transformar a crise em espetáculo político, sobretudo diante da relevância regional do hospital. Já na quarta-feira, a gestão do Hospital de Base respondeu oficialmente às críticas do deputado estadual.
Em pronunciamento nas redes sociais, o auditor e médico Cristiano Conrado classificou a postura do parlamentar como "sensacionalista, irresponsável e tecnicamente despreparada". Entre os principais pontos esteve a discussão sobre protocolos médicos relacionados ao tratamento de AVC.
O auditor explicou que o Hospital de Base não possui habilitação específica para trombólise em AVC, apenas para determinados procedimentos ligados ao infarto, e criticou o que chamou de desconhecimento técnico sobre os protocolos do SUS.
A gestão também rebateu acusações de abandono estrutural, destacando investimentos recentes realizados na unidade e afirmando que o hospital possui custo operacional mensal estimado em cerca de R$ 10 milhões, com participação financeira do município e do Governo do Estado.
Outro ponto de forte repercussão foi a discussão sobre os limites da fiscalização parlamentar dentro de áreas assistenciais. Segundo a direção, embora deputados possuam prerrogativa fiscalizatória, não podem expor pacientes, constranger profissionais ou acessar determinados ambientes sem observar normas relacionadas ao sigilo médico e à segurança hospitalar.
O auditor também respondeu críticas relacionadas aos cuidados prestados a pacientes com AVC, afirmando que procedimentos como banho no leito seguem protocolos clínicos específicos para pacientes com mobilidade reduzida.
A direção do hospital afirmou estar aberta ao diálogo institucional e à construção de melhorias estruturais, mas criticou o uso político do ambiente hospitalar nas redes sociais.
No centro dessa disputa permanece a população. O Hospital de Base continua sendo uma das estruturas mais importantes para milhares de famílias do sul da Bahia. E talvez esse seja o principal desafio do momento: separar o debate sobre falhas e responsabilidades do uso do sofrimento humano como combustível político.
No passado, a unidade chegou a carregar o estigma de “Hospital da Morte”, expressão que marcou períodos de forte crise. Hoje, porém, a realidade apresenta um hospital de fluxo intenso, responsável por milhares de atendimentos mensais, funcionando como porta aberta regional do SUS.
Dados recentes do Ministério da Saúde colocam o Hospital de Base entre os 20 da Bahia com maior volume de internações pelo SUS. A unidade ocupa a 17ª posição entre os 470 hospitais baianos que prestam serviços ao SUS e aparece como o segundo da macrorregião sul do estado.
A estrutura atende cerca de 22 municípios pactuados, alcançando uma população estimada em mais de 500 mil pessoas. Por Andreyver Lima, para A Região.
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