Ciro Nogueira tinha mesada de Vorcaro
O ministro do STF André Mendonça mandou a Polícia Federal deflagrar, nesta quinta-feira, a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o escândalo envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, incluindo mandado de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PI).
Segundo a investigação, o presidente nacional do Progressistas (PP) recebia dinheiro em espécie e uma mesada que passou de R$ 30 mil para R$ 500 mil nos últimos oito meses antes, da prisão do banqueiro. Em diálogos em janeiro e fevereiro de 2025, citados no relatório da PF, o pagamento fica claro:
“FELIPE VORCARO: “Oi Daniel, tudo bem? Pessoal me passou aqui sobre o aumento dos pgtos parceiro brgd, mas fluxo esta indo praticamente todo para o btg e ainda estou precisando aportar valores altos todo mes. Amanhã estarei o dia todo em SP, tem algum horário que poderíamos falar?”
[28/01/2025] DANIEL VORCARO: “Estou na venezuela”. “Resolve isso pra mim”. “Eu ponho dinheiro depois para repor”.
[30/06/2025] DANIEL VORCARO: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”
[30/06/2025] FELIPE VORCARO: “Vou ver se dou um jeito aqui.. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”
As investigações conferem a Nogueira papel central no caso Banco Master, inclusive por suas iniciativas que interessavam Vorcaro, como seu projeto propondo aumentar para R$1 milhão o valor do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Atualmente em R$ 250 mil, o aumento daria maior margem de manobra para as operações consideradas até mesmo irresponsáveis do Master. A proposta apresentada por Nogueira, segundo a PF, foi redigida no Banco Master, mas acabou derrotada no Senado.
Mendonça também expediu mandado de prisão temporária contra um primo do banqueiro, Felipe Cançado Vorcaro, que travou os diálogos, residente em Minas Gerais. Ele já está sob custódia da PF. E mandou colocar tornozeleira no irmão de Ciro, Raimundo Nogueira Lima.
Segundo a PF, estão sendo cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal e são executadas nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
A decisão judicial também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões. A operação é conduzida pela Polícia Federal e faz parte de uma série de fases da investigação batizada de Compliance Zero. Com Diário do Poder.
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