"Caso da merenda de Ilhéus é grave"
O vereador ilheense Vinicius Alcântara participou, nesta segunda, do programa Conexão Morena, da rádio Morena FM 98, e contou tudo sobre o caso da merenda escolar que levou a Polícia Federal para a porta da Prefeitura de Ilhéus. Foi ele quem encaminhou a denúncia, com outros dois vereadores.
Vinícius, que é do União Brasil, mesmo partido do prefeito Valderico Reis Jr, destaca que, para a Polícia Federal, a CGU, os Ministérios Públicos estadual e federal se envolver, antes "é preciso que vejam indícios graves, de algum tipo de erro em qualquer ato público".
"Não foi só a nossa vereança, existem outros vereadores que também colheram provas, existem pais, existem professores, existe a própria Polícia Federal que viu todo esse burburinho acontecendo a nível público pelas redes sociais, pelos blogs, enfim, por onde essa notícia correu, e mobilizou suas forças".
Perguntado pelo host Oziel Aragão, sobre o que ele espera com a denúncia, Vinicius respondeu que "a situação das crianças se resolva. Acho que a primeira coisa é essa. Quando nós descobrimos, através de pais e professores, que estava faltando merenda escolar, a gente foi nas escolas".
"A gente viu que não tinha nada nos freezers, nada na geladeira. O que tinha às vezes, era tipo, cada aluno recebendo cinco biscoitos. Fazendo fila na escola para pagar cinco biscoitos de maizena. Tem um vídeo em que pergunto para o aluno 'você tomou um chocolate hoje?' Ele responde, 'não, não tem'".
"É a realidade em Ilhéus, Oziel. Se a gente for pelos dados, você pega IBGE, IPS, que é o índice de progresso social, você pega o Caged, Ilhéus é uma cidade muito pobre. Ilhéus é a cidade mais amada, a praia, mas Ilhéus é muito pobre. O estado da Bahia já está em 22º lugar na posição do IPS," pontuou.
"As crianças vão para a escola para comer lá. Eu entendi essa realidade tão nua e crua. Então, quando ele vai para a escola e ele não come, ele passa a manhã inteira, talvez até sem o almoço, porque o pai e a mãe saíram para poder trabalhar", afirmou Vinicius.
O ouvinte Marcos Moraes disse que, no final, nada vai acontecer porque no Brasil acaba em pizza. "Aí na Bahia, em acarajé". Vinicius rebateu dizendo que "acho que a gente tem que acreditar. Nosso trabalho é acreditar. Não é possível a Polícia Federal fazer todo o trabalho e apreender para não dar em nada".
Oziel perguntou se o caso da merenda não teria sido de erros formais, como grafar o pacote de macarrão por R$ 35 quando seria R$ 13,50. "Então, um erro formal que gera R$ 1,7 milhão a mais na conta que foi pago, sendo que lá na ponta a gente não vê a merenda chegar?" questionou Vinicius
"O prefeito falou que a merenda está chegando na ponta, que os meninos estão comendo bem, estão tendo alimentação, está tudo bonitinho, tudo redondo," observou Oziel. "Pelo menos foi essa declaração oficial que foi dada com relação a isso aí".
"Ah, mas essa é a desculpa de todo o gestor que não sabe trabalhar dá. Se a gente tivesse a política pública funcionando bem, os meninos comendo na escola, o transporte escolar funcionando, a gente estaria fazendo outras fiscalizações e talvez até sem trabalho," respondeu Vinicius.
"Mas o prefeito é muito ruim de serviço, ele é péssimo de serviço. O aluno da escola pública não recebe sequer um fardamento," completou, lembrando de outro processo contra Valderico que partiu dele, o uso das cores de sua campanha nos equipamentos públicos e em souvenirs.
"Foram R$ 14 milhões que ele iria usar para comprar bonezinho, para comprar chaveiro, para comprar caneta, R$ 14 milhões, mais do que o dinheiro da merenda escolar. Isso é possível? Isso é um absurdo. Em que mundo o prefeito Valderico vive?" detonou Vinicius.
"Tanto que ele fala que a merenda está chegando na escola, mas não vai nas escolas. Não deve ir nas escolas porque, se chega lá, o aluno está indo embora mais cedo por falta de merenda, até hoje. Se foi entregue e o aluno está sem a merenda, para onde ela foi?" concluiu.
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