Áudio vazado mostra coação da ANPC

Um áudio vazado para a midia nesta terça-feira revelou os bastidores da denúncia de que a Biofábrica do Cacau na Bahia tem mudas infectadas com o mosaico, doença que pode destruir uma lavoura. A confusão começou com a presidente da Associação Nacional de Produtores de Cacau (ANPC).

Depois de receber a denúncia, anônima, Vanuza Barroso foi até a biofábrica, no distrito de Banco do Pedro, em Ilhéus, e invadiu os canteiros na esperança de fotografar as mudas. Depois assediou uma funcionária para que testemunhasse confirmando a existencia da doença no local.

Ela não esperava que sua ligação por WhatsApp vazasse para a imprensa e fosse colocada no Youtube pelo iPolítica. Na gravação, ela primeiro oferece dinheiro e um emprego em outro estado, para a mulher e sua família, alegando que a jovem ficaria "desamparada" ao ser demitida pela Biofábrica.

A propina teria a contrapartida de a funcionária confirmar que as mudas estão com mosaico, ao lado de mudas saudáveis no mesmo viveiro, mesmo depois de a diretoria da Biofábrica negar a denúncia. Vanuza diz que "soube" que havia mosaico e denunciou ao Ministério Público, mas não há registro.

Ao receber as ofertas, a coordenadora da empresa respondeu que "já prejudiquei muito a empresa. Se soubesse quem voce era, tinha te expulsado de lá". Vanuza insistiu: "voce não fica sendo testemunha contra eles, só faz o video," argumentou. Ao ver que não adiantava, partiu para a ameaça velada.

"Eu não quero lhe prejudicar. Vai ser apurado pelo MPF e a PF, porque eles podiam ter resolvido isso antes, tem um ano que tem indícios de mosaico. Eles vão tentar te ouvir", disse, pedindo para ela "pensar direitinho" e que ligaria de novo mais tarde.

A Biofábrica soltou nota em que afirma não existir nenhuma muda de cacau infectada pelo mosaico e lembrou que a entrada de pessoas não autorizadas nem capacitadas numa área crítica, que não pode ser contaminada, "colocou em risco milhões de mudas destinadas à agricultura familiar".

Segundo a Biofábrica, a invasão e ameaça de Vanuza foram comunicadas à Polícia Civil em Ilhéus. Em nota oficial, o diretor Valdemir José afirma que “repudio veementemente qualquer forma de coação ou oferta de vantagem a membros da nossa equipe. A Biofábrica não se vende e não fabrica crises”.

"Já registramos ocorrência na Polícia Civil de Ilhéus e estamos solicitando medida protetiva em favor da servidora. A funcionária envolvida no caso também registrou boletim de ocorrência relatando ameaças e oferta de vantagens financeiras em troca de depoimentos contra a instituição".

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sao pedro

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