Seinfra insiste em projeto 'estúpido'

Assunto recorrente aqui em A Região, primeiro veículo a levantar a questão, há dois anos, o plano de tornar a BA-649 e a BR-415 em mão única é considerada uma "idéia estúpida" por um engenheiro ouvido por nossa reportagem. "Vai prejudicar todo mundo ao longo da 415", afirma.

Questionada pelo blog Pimenta, a Secretaria de Infraestrutura do Estado confirmou o que A Região denuncia desde 2024: ela insiste em tornar a nova BA-649 mão única de Itabuna para o Banco da Vitória, onde termina, e a Rodovia Jorge Amado mão única do Banco da Vitória para Itabuna.

A secretaria alega que isso vai "absorver com segurança a passagem de veículo entre os municípios," o que não faz nenhum sentido como argumento. Aponta ainda as quatro pontes para justificar sua decisão. A Seinfra claramente não fez nenhum estudo de fluxo real dos trajetos.

Para ir do condomínio VAC para o Posto Cachoeira são 3 km, mas para voltar serão 15 km, porque o morador terá que ir até a ponte 1 pela BR-415, depois voltar pela BA-649 por 8 km, entrar na ponte 2 e voltar mais 7 km pela 415 para chegar em casa. A rotina dos alunos da Uesc e UFSB será um infeno.

Para um aluno que mora no Parque Universitário, no Salobrinho, ir até a Uesc, terá que viajar até a ponte 1 pela 415, depois seguir até a ponte 3, no Ifba, pela 649 e voltar pela BR-415, porque o estado colocou a ponte 2 antes do bairro. A ida até a Uesc, hoje de 800m, vai virar uma odisséia de 10km.

O estudante de Itabuna que assiste aulas na UFSB ou quem vai para a Ceplac, só precisa trafegar por 8 km. Se o estado insistir na péssima ideia da mão única, ele vai seguir pela BA-649 até a ponte 2, do Salobrinho, e voltar pela 415 até a universidade, aumentando a viagem para cerca de 15 km.

Da Ceplac até a CVR, hoje um trecho de 900m, a viagem será de 9 km. A insistência do Governo do Estado na mão única nas duas estradas prejudicará o Cidadelle, o VAC, Ceplac, UFSB, Uesc, os atacadões e o Salobrinho. Além disso, uma rodovia com terceira via será subutilizada.

O advogado e fazendeiro Jader Tavares alerta ainda para o prejuízo no escoamento da produção das propiredades ao longo da BR-415, que terão seus trajetos e custos aumentados. Há ainda a dúvida de como as empresas de ônibus vão encarar o aumento, por exemplo, do trajeto até a Uesc, dobrado.

“Sou testemunha das dificuldades das pessoas que moram, trabalham e frequentam as instituições de ensino irão ter nos deslocamentos diários. Os custos do dia a dia do transporte individual ou coletivo irão aumentar”, disse Jader ao Pimenta. Para ele, o estado deveria fazer audiências públicas.

A professora da UFSB Peolla Stein, Mestre em Engenharia de Transportes pela USP, diz que “é um erro de mobilidade muito grande. Já conversei com outros técnicos, e eles concordam em relação a isso, porque você tem grandes instituições que são polos geradores de viagens ao longo da BR-415".

Além da "ideía estúpida" da mão única, a nova estrada BA-649 também está envolvida na polêmica de seu custo. O governo Bolsonaro gastou R$ 3,4 bilhões em 2.054km de rodovias, o que dá R$ 1,5 milhão por km. A 649, de apenas 18km, vai custar R$ 141 milhões ou R$ 7,7 milhões por km.

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sao pedro

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