Política acelera abandono do Windows
O sistema operacional Linux domina o mercado alimentando 77% dos servidores de internet, 100% dos 500 supercomputadores mais poderosos do mundo, 90% das principais plataformas, incluindo AWS, Google Cloud e Azure. Além disso é a base do Android, o sistema de celular dominante.
Apesar do sucesso, o Linux nunca dominou o mercado de desktops, onde tem só 5% e o Windows reina, graças a estratégias nem sempre elogiáveis. Porém, as mudanças no Windows 10 e 11, rejeitadas por boa parte dos ususários, e problemas crônicos não resolvidos podem acelerar a migração.
Há anos, alguns governos vêm migrando seus desktops do Windows para Linux, mas de forma lenta. Porém, neste ano existe uma soma de fatores para acelerar a mudança. Uma delas é a exigência da Microsoft de que o usuário logue online e permaneça assim durante a sessão.
Já se provou que o Windows envia dados particupares do usuário para a Microsoft quando está com a internet ativa. Porém, o novo login dá a ela o poder de rastrear cada atividade do usuário em tempo real, o que vem sendo usado para "ensinar" sua Inteligência Artificial, que interfere nos programas.
O risco de ter dados sensíveis sequestrados, o alto custo das licenças e a dependência a uma empresa são fatores que levaram a França a anunciar a completa substituição do Windows pelo Linux em todos os computadores do governo, além de programas também de código aberto.
A Caisse Nationale de l’Assurance Maladie (fundo nacional de saúde) já começou a migrar os PCs de 80 mil funcionários para suas versões de código aberto, como o Tchap (de comunicação interna), o Visio (substitui Teams e Zoom), e o France Transfert (para envio de arquivos).
Até o fim de 2027, a França quer os 2,5 milhões de funcionários públicos abandonando aplicativos como Zoom, Microsoft Teams, Webex e GoTo Meeting, que serão substituidos pelo Vizéo. Outro país com plano parecido é a Alemanha, que deixou o email da Microsoft e trocou o SharePoint pelo Nextcloud.
O exército austríaco substituiu o programa Microsoft Office pelo LibreOffice. No Brasil, o governo iniciou uma transição para o Linux ainda na primeira gestão de Lula da Silva (PT) porém, depois de uma visita do então presidente da Microsoft, Bill Gates, a migração foi interrompida.
Agora, com o conflito com os Estados Unidos, o governo retomou o plano, mas focado nos sites e programas internos do Serpro. A Espanha também vem migrando seus sistemas e adotando o LibreOffice. A tendência é de cópia da estratégia por outros países da Europa.
A Índia registrou a maior taxa de adoção do Linux em desktops, com 16,21%, seguida dos Estados Unidos, onde 5,03% das pessoas usam o sistema. Cerca de 40% da administração publica italiana já funciona com software livre, assim como 93% de suas universidades.
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