Escritório Moraes recebeu R$ 80 milhões
Documentos da Receita Federal revelam que o Banco Master fez pagamentos de R$80 milhões (exatos R$ 80.223.653) ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados entre 2024 e 2025. Os valores foram identificados em declaração de Imposto de Renda do banco, cujo sigilo fiscal foi quebrado pela CPI do Crime Organizado do Senado.
O jornal Folha de S. Paulo informou o recebimento de metade desse montante, R$ 40.111.826, mas, ao conferir os valores, a TV Globo os atualizou para R$ 80,2 milhões durante a madrugada, com base nos documentos enviados pela Receita à CPI.
O valor citado pela Folha corresponde apenas a onze meses de 2024. Outros onze pagamentos foram realizados ao longo de 2025. O contrato, segundo documentos do celular do banqueiro, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por 36 meses. O banco recolheu R$ 4,9 milhões em impostos na fonte.
Os documentos da Receita mostram que o banco de Daniel Vorcaro declarou pagamentos que totalizaram R$ 80.223.653 desde fevereiro de 2024, mediante pagamentoo fixo mensal de R$ 3.646.529 por 22 meses, até novembro de 2025.
O fluxo foi interrompido com a liquidação do Master pelo Banco Central e a prisão do seu controlador, Daniel Vorcaro. No dia em que seria preso pela primeira vez, Vorcaro enviou mensagens ao celular do ministro Moraes indagando se ele havia conseguido “bloquear” alguma coisa.
O escritório Barci de Moraes tem como uma das sócias Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Em março, Viviane confirmou publicamente que o escritório prestou serviços de consultoria e assessoria jurídica ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
Segundo o escritório, os trabalhos envolveram 94 reuniões (79 delas presenciais na sede do banco), a elaboração de 36 pareceres jurídicos sobre temas como compliance, regulação bancária, questões trabalhistas e previdenciárias, com participação de 15 advogados do próprio escritório e de três especializados. O escritório afirmou ainda ter auxiliado na implementação de um novo código de ética.
Procurado pela Folha, o escritório Barci de Moraes afirmou que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente”, lembrando que dados fiscais são protegidos por sigilo. O escritório não informou qual seria o valor correto dos pagamentos recebidos.
O ministro Alexandre de Moraes não se manifestou sobre o caso.
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), questionou a proporcionalidade dos valores. “Contraprestação de serviço? A própria doutora Viviane já publicizou: nada que justifique esse valor”, declarou o senador durante sessão da comissão.
Os documentos da Receita foram entregues à CPI nesta terça-feira (7), após solicitação no dia anterior. Em dezembro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou pedido de investigação sobre atuação de Moraes no caso, alegando ausência de ilicitude. A defesa de Daniel Vorcaro não se pronunciou. Com Diário do Poder
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