Verba pública alimenta perseguição
Uma série de campanhas digitais contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) têm circulado nas redes sociais nos últimos anos, com pedidos de cassação e ofensivas coordenadas contra o parlamentar. Quando analisadas em conjunto, essas mobilizações revelam a existência de um ecossistema.
Ele é organizado, conecta militância digital, operadores de marketing político e gabinetes de parlamentares, aponta reportagem do jornalista David Agape. Ele identificou que as campanhas passam por estruturas ligadas à militância associada à Fundação Perseu Abramo, do PT.
Também atravessa redes digitais próximas de parlamentares do PSOL. Em diversos episódios, empresas de comunicação política contratadas por gabinetes parlamentares aparecem operando a infraestrutura técnica dessas campanhas.
Os registros analisados mostram que parte dessa estrutura foi financiada com recursos públicos. Só uma das empresas mapeadas na apuração recebeu cerca de R$ 1,3 milhão de gabinetes da Câmara, principalmente do PSOL, por meio da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP).
A verba é destinada à divulgação institucional dos mandatos. Outras companhias ligadas ao mesmo ecossistema digital receberam pagamentos para impulsionamento de conteúdo, disparo de mensagens e operação de bases de mobilização.
Estruturas privadas associadas a esses operadores movimentaram dezenas de milhões de reais em contratos partidários e campanhas eleitorais nos últimos anos. Além disso, as campanhas também geraram bases de dados de centenas de milhares de cidadãos que forneceram informações pessoais ao aderir a petições online contra o parlamentar.
Esses sistemas permitem armazenar contatos, segmentar públicos e direcionar comunicações políticas por e-mail, anúncios nas redes sociais e aplicativos de mensagem.
Especialista em direito digital ouvido pela reportagem afirma que o uso de recursos partidários ou de estruturas financiadas com dinheiro público em campanhas digitais voltadas a atingir adversários políticos pode caracterizar desvio de finalidade e, dependendo das circunstâncias, configurar abuso de poder político ou econômico se utilizado para influenciar o processo eleitoral.
Em 3 de março de 2026, o jornal O Globo revelou que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou, em outubro de 2022, uma aeronave vinculada ao empresário Daniel Vorcaro — dono do Banco Master, investigado por fraudes que podem chegar a R$ 17 bilhões — para percorrer o Nordeste em campanha pelo então presidente Jair Bolsonaro.
A notícia foi o gatilho para uma ofensiva coordenada da militância governista nas redes. O deputado Rogério Correia (PT-MG) apresentou requerimentos na CPMI do INSS para convocar Nikolas a depor sobre o uso da aeronave durante a campanha de 2022 e pedir a quebra de seus sigilos bancário, telefônico e telemático, além de diligências para apurar eventuais vínculos com o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Já a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) protocolou ofício no Supremo Tribunal Federal solicitando que o deputado fosse ouvido no inquérito que investiga o caso do banco e que a Procuradoria-Geral da República e o Tribunal Superior Eleitoral analisassem possíveis implicações penais e eleitorais.
No mesmo dia, a influenciadora Kriska Carvalho distribuiu no X um briefing operacional para a militância. O post definia frentes de ação, com objetivos, munições e direcionamento tático. Um dos objetivos era “expor Nikolas” com relação ao caso do jatinho. Reportagem de David Agape.
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