Depoimento é crucial no caso Mastique

O assassinato do delegado Carlos Mastique teve como testemunha um investigador que estava com ele. Num áudio, obtido com exclusividade pelo jornal A Região, o policial civil José Jorge Figueiredo dos Santos diz que "ainda tenta se refazer e apagar da memória as imagens do ocorrido".

Sem depoimento "casa" com o video de uma câmera de segurança. Ele conta que, por volta de 2h40 de sábado para domingo, ele e Mastique estavam na avenida Aziz Maron quando uma jovem pediu socorro para a amiga, que estava sendo agredida. Os dois foram ao local, onde encontraram seis pessoas.

O investigador conteve quatro delas, enquanto Mastique tentava contar o agressor da mulher. "Pedi que todos encostassem na parede, avisando que era polícia. O cidadão que estava agredindo permaneceu agredindo e o delegado Mastique se dirigiu a ele, contendo a agressão".

O agressor foi identificado como um policial militar à paisana, por isso Mastique ligou para o 190 e pediu o apoio da PM. A viatura chegou rápido mas, ao invés de tomar conhecimento da agressão do PM, mandou o delegado e o investigador deitar no chão, numa abordagem usada para bandidos.

"O cabo da Polícia Militar, do 15º batalhão aproximou-se, tomou a pistola do delegado, que estava na cintura, e pediu que ele se afastasse". Vendo a situação se agravar, o policial civil pegou sua identificação de policial e entregou a um PM.

Momento do homicídio

Neste momento ele diz que escutou o PM dizer "sai da frente soldado" e escutou o tiro. Ao se virar, viu o delegado Mastique no chão, baleado. "Olhei para os policiais e disse 'olha a merda que voces fizeram, atiraram em um delegado de polícia. Por favor, dê socorro a ele'".

Eles mandaram que o policial deitasse no chão. "Eu resisti, eles tornaram a insistir. Sem alternativa, eu deitei e foi solicitado que entregasse minha arma. Eu disse que ela estava na cintura e eles teriam que retirar, porque eu não teria condições de fazê-lo".

"Neste momento, me foi dado voz de prisão e retiraram a pistola. Eu insisti que dessem socorro ao delegado, que estava morrendo. Me levantei, mesmo com eles dizendo para deitar novamente, e fui até o delegado, que ainda tinha pulsação".

O investigador pediu que socorressem o delegado, mas foi obrigado a deitar no chão de novo. Um tenente PM chegou ao local e perguntou quem ele era. "Disse que eu era um policial civil e que minha identificação já se encontrava com os policiais, e pedi que desse socorro ao delegado".

O PM alegou que já tinha pedido socorro, mas o investigador lembrou que o Samu iria demorar e pediu novamente para que levassem Mastique a um hospital. Depois de muita insistência, o delegado foi "arrastado pelas pernas pelos PMs" e colocado em uma viatura.

Suspeita na delegacia

Na delegacia, mais atitudes suspeitas, segundo o agente da polícia civil. "Nao fizeram minha apresentação e tentaram me manter dentro do veículo o tempo todo". Ele conta que chamou um colega de Itabuna e pediu para que ele acompanhasse os PMs o tempo todo.

"Queria evitar uma possível fraude, disparando a arma dele ou a do delegado para simular um confronto. Graças a Deus isso não aconteceu. Em nenhum momento me colocaram na ocorrência. Nem o PM à paisana nem as pessoas que estavam no local foram conduzidos para a delegacia".

O policial é taxativo sobre a ocorrẽncia: "Não vejo isso com uma ação policial desastrosa e sim como uma execução". "O delegado tomou um tiro no peito esquerdo e eu fiquei ali, impossibilitado de fazer o revide da injusta agressão".

"A única coisa que nós temos são as câmeras de de vigilância. Pedi para o delegado que me deu apoio, juntamente com os policiais civis, que fossem buscar essas câmeras para que as imagens não desaparecessem".

A PM alega que foi ao local para separar uma briga e que, ao pedir a arma do delegado (ele ainda dentro do carro), ele teria feito menção de atirar. O jornal A Região observa que o depoimento gravado foi enviado por uma fonte e não é oficial.

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sao pedro

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