Cargill suspende soja e afeta a Bahia
A Cargill suspendeu suas exportações de soja do Brasil para a China, devido a uma mudança na inspeção fitossanitária pelo governo brasileiro. O anúncio foi feito pelo presidente da empresa no Brasil, Paulo Sousa, à Reuters.
Souza explicou que o Ministério da Agricultura resolveu fazer uma inspeção mais rigorosa da soja destinada à China, a pedido da ditadura chinesa. Os novos procedimentos dificultam o cumprimento das normas e a autorização para o embarque do produto.
Como não vai exportar, a Cargill também suspendeu as compras de soja no Brasil e isso afeta diretamente os polos produtores, incluindo o Oeste da Bahia.
O governo reagiu com raiva à decisão da Cargill. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, acusou a empresa de ser "precipitada e irresponsável" e que o governo deveria ter sido consultado antes.
Paulo Souza explica que o ministério resolveu fazer sua própria amostragem ao invés de usar o padrão mundial do mercado. "Isso está gerando discrepância e, com essas discrepâncias, os certificados fitossanitários que acompanham a carga, em alguns casos, não estão sendo emitidos".
Sem os certificados, o navio não pode descarregar na China, por isso vários que já estavam a caminho precisam ser desviados para outros destinos. "Se não resolver logo, vai levar à paralisação dos embarques para a China", alertou.
Uma olhada nos perfis do X de corretores de grãos mostra que o mercado parou e não está fazendo lances para comprar soja. A China é o maior cliente da soja brasileira, cerca de 80% da exportação. Não existe uma maneira de vender esse volume de soja em outros locais.
Na região Matopiba, que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a empresa domina o mercado de compra. Se não vender para a Cargill, os produtores não têm para quem repassar o produto no mesmo volume. O cenário no Oeste baiano é de extrema preocupação.
Sem as compras da Cargill, passa a sobrar produto e, com isso, o preço tende a despencar, afetando inclusive a balança comercial brasileira. E o agricultor, que está com a safra pronta no armazém, deixa de ter condições de manter o armazenamento e os custos da produção.
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