Produtores de cacau criticam governo
Há 34 anos, em 1992, o jornal A Região escandalizava a sociedade sulbaiana com uma manchete que resumia a primeira importação de cacau africano pelo porto de Ilhéus com apenas uma palavra, em letras garrafais: "ACABOU!" Ele se referia ao fim da posição exportadora do Brasil, afetado pela vassoura-de-bruxa.
Hoje, há a mesma revolta com a volta das importações de cacau da África, que também aconteceram em 2017. Desta vez, a grita é pela queda brutal da cotação da arroba no exixo Itabuna - Ilhéus, que chegou a R$ 1.000 em 2025 mas agora patina em torno de R$ 250. Os produtores culpam a importação feita pela indústria de chocolate.
Os produtores foram às ruas, em protesto, exigindo mudanças na política de preços da indústria moageira e rejeitando a "flexibilização" das regras de importação de cacau. Os cerca de dois mil cacauicultores se reuniram no Porto do Malhado, convocados pela Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC).
Eles acusam as compradoras de praticar um preço defasado da cotação internacional e pedem a derrubada da Instrução Normativa 125/2021, do Ministério da Agricultura, que derrubou regras importantes que garantiam a sanidade do cacau importado, através da aplicação de brometo de metila no embarque na África.
"A falta dessa medida aumenta bastante o risco de uma praga exótica chegar ao Brasil em uma das cargas, como a Phytophthora megakarya, conhecida como vagem preta", afirma um produtor. Ele e os outros ganharam o apoio de vários prefeitos da região, como a de Uruçuca, Magnólia Barreto, e de Itabuna, Augusto Castro.
Augusto declarou apoio às lideranças da lavoura cacaueira diante da forte queda no preço do cacau e da importação de 10 mil toneladas de amêndoas africanas. O gestor também demonstrou preocupação com possíveis distorções no uso do regime aduaneiro, que favorece a importação em detrimento do produto local.
A principal crítica do prefeito recai sobre a Instrução Normativa nº 125, do Ministério da Agricultura, que flexibilizou os critérios fitossanitários para a importação de cacau. Na avaliação de Castro, a medida reduziu o rigor técnico necessário e pode favorecer a entrada de pragas e doenças exóticas, colocando em risco a produção baiana.
O prefeito destacou que os produtores enfrentam dificuldades estruturais, como falta de assistência técnica, extensão rural e acesso ao crédito. Mesmo nesse cenário, ele ressaltou o esforço do setor em investir na melhoria genética das lavouras e na adoção de novas tecnologias.
Augusto articula ações conjuntas com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia e defendeu a mobilização da Amurc e de consórcios regionais. A proposta é cobrar do Governo Federal critérios mais rígidos para a importação de amêndoas e maior atenção ao pequeno produtor.
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