Rádio é ouvido em aparelho tradicional
O avanço das plataformas e tecnologias de áudio digital na última década vem sendo documentado pelo estudo Share of Ear, da Edison Research, uma pesquisa realizada periodicamente nos Estados Unidos desde 2014. Hoje, o consumo de áudio por streaming em celulares, computadores, smart speakers e smart TVs domina o áudio.
Embora o rádio AM/FM esteja disponível em todos esses dispositivos digitais, o receptor tradicional segue como o equipamento mais utilizado pela população norte-americana de 13 anos ou mais ao longo de um dia típico. Em 2015, 93% do tempo dedicado à escuta de rádio AM/FM acontecia em receptores.
Naquele momento, as smart speakers estavam chegando ao mercado e a presença de smart TVs nos lares era muito menor do que hoje. Dez anos depois, a participação dos receptores caiu para 87%. Celulares e smart speakers registraram avanços modestos, reduzindo parte da liderança dos receptores.
As empresas de rádio têm buscado adotar plataformas e tecnologias digitais, mas o aparelho tradicional ainda supera com folga qualquer outro dispositivo no consumo de rádio. A Morena FM, de Itabuna/BA, confirma isso. "Nossa audiência ainda é 95% por aparelhos, com a online dominada por pessoas de outros estados e países".
Quem explica é o CEO Marcel Leal, que estuda a internet há mais de 30 anos. "O aparelho de rádio é descomplicado, rápido e fácil de usar, enquanto o online exige um PC ligado a um som externo, ligação bluetooth ou um app no celular. Com o aparelho tradicional, bastar ligar. E ele consegue funcionar sem eletricidade nem internet".
A escuta dentro dos carros é um exemplo disso e representa uma parcela muito significativa do tempo gasto com AM/FM. Nesse ambiente, praticamente toda a audiência ocorre em receptores. Mesmo em outros locais, a maior parte da escuta continua sendo do sinal transmitido pelo ar, captado por aparelhos convencionais.
Esta predominância da audiência através de receptores tradicionais pode ser vista de duas maneiras. Por um lado, é um ponto forte do rádio, onde os hábitos dos ouvintes e a presença de um aparelho que funciona como um walled garden para o meio são fatores que concentram e favorecem a manutenção do público.
Por outro, é um ponto de atenção, onde o baixo crescimento do consumo do conteúdo do rádio em dispositivos digitais nesta última década pode representar a dificuldade das emissoras em conquistar este novo espaço de competição pelo tempo do ouvinte.
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