Professores e o Dia da Língua Portuguesa
Nesta quarta-feira é comemorado o Dia Nacional da Língua Portuguesa. A data foi instituída em 2006 para valorizar a língua como patrimônio cultural e instrumento de identidade nacional. Ela homenageia o advogado, jurista, jornalista, intelectual, escritor, político e diplomata baiano Ruy Barbosa.
Ele foi um grande divulgador do idioma e defensor de uma educação de qualidade para todos. Estima-se que cerca de 260 milhões de pessoas falem português. Ele é língua oficial de nove países: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe e, claro, o Brasil.
Para marcar a data, professores analisam a história, as transformações e os desafios do idioma, além de compartilhar dicas práticas para aprimorar o uso da língua no dia a dia. Eles contam que a língua portuguesa tem suas raízes no latim vulgar, falado pelos soldados e colonizadores do Império Romano que ocuparam a Península Ibérica.
Com o passar dos séculos, o contato com povos locais e invasões de visigodos e árabes, por exemplo, transformou o latim popular em novas formas de expressão, dando origem ao galego-português, falado na região noroeste da península. A partir do século XII, com a formação do Reino de Portugal, o idioma passou a se consolidar.
A língua portuguesa falada no Brasil é diferente do português de Portugal porque "foi moldado por influências indígenas e africanas, criando uma sonoridade e uma estrutura únicas”, explica Lino Gonzaga de Oliveira, da Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP.
Segundo o professor, as variações linguísticas e regionais são marcas que enriquecem o idioma e que devem ser valorizadas. “As gírias, os sotaques e as expressões populares mostram que a língua está viva e em constante transformação. E o português do futuro será ainda mais plural, refletindo as novas formas de comunicação".
O português é difícil?
A fama de “língua difícil” acompanha o português há décadas mas, para a professora Janaína Arruda, da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo, essa ideia precisa ser revista. "Depende muito da língua materna de quem o estuda, porque os idiomas se organizam em famílias linguísticas com estruturas, sons e vocabulários semelhantes".
Por exemplo, o português e o espanhol descendem do latim, o que explica por que brasileiros costumam compreender o espanhol com mais facilidade. Já o inglês, de origem germânica, apresenta diferenças mais significativas na formação das palavras e na gramática, o que pode causar maior estranhamento inicial.
“Na verdade, nenhum idioma é mais difícil que outro”, afirma Janaína. Essa percepção pode estar associada à distância entre o português formal e o falado no cotidiano. “Quando o ensino se volta demais para a norma culta e pouco para o uso da língua, o aprendizado se torna mais desafiador".
O que mudou com o novo Acordo Ortográfico?
O principal objetivo das mudanças foi padronizar as normas e reduzir as diferenças de escrita que existiam entre os países que têm o português como língua oficial. Entre as mudanças mais conhecidas estão o fim do trema, a inclusão facultativa do uso do hífen em algumas palavras compostas e a atualização das regras de acentuação.
Mas, mesmo com o passar do tempo, as regras ainda geram dúvidas em muitas pessoas, especialmente entre as gerações que foram alfabetizadas antes das mudanças e têm o hábito da escrita consolidado. Isso acontece porque as regras antigas foram internalizadas durante anos de estudo e prática, tornando a adaptação mais difícil.
“Já para os mais jovens, que cresceram em contato com as normas atuais, a tendência é de maior familiaridade e naturalidade, com uma incorporação natural. Uma dica para assimilar o novo acordo é praticar a leitura de livros publicados sob a atualização das regras”, explica Juliane Pagamice, docente da Escola Internacional de Alphaville.
Para Eloá Schuler, professora do colégio Progresso Bilíngue, de Santos/SP, a prática constante é o segredo. Ela recomenda ler diariamente, explorando gêneros variados; anotar dúvidas linguísticas para consultá-las depois, evitar abreviações em excesso, ouvir e observar diferentes formas de falar e utilizar ferramentas de revisão como apoio.
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