Especialista condena modelo de polícia
Nesta quarta, em entrevista ao Conexão Morena, da rádio Morena FM, o policial civil Roberto José criticou o modelo de segurança do Brasil. Para ele, a divisão entre ação ostensiva, a cargo da Polícia Militar, e investigação, da Polícia Civil, dificulta o combate integrado da criminalidade. Apenas Serra Leoa, Guiné Bissau e Turquia seguem o modelo.
Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Roberto defende que o Brasil adote o modelo de ciclo único, no qual a mesma corporação faz o policiamento ostensivo e a investigação de crimes. Esse formato é utilizado nos Estados Unidos e em países da União Europeia. "É o ciclo completo da atividade policial", definiu.
Também criticou as unidades de polícia pacificadora do Rio de Janeiro e comparou com o exemplo de Medelín, na Colômbia. Segundo ele, enquanto no Rio as UPPs chegaram apenas com as forças policiais, na cidade colombiana o Estado chegou primeiro com políticas sociais: "escolas, esporte, cultura, geração de emprego, reurbanização".
Roberto José reconheceu que o Brasil precisa atualizar sua legislação, mas ressaltou que o simples endurecimento das punições não desencoraja o crime. O que inibe o criminoso é a certeza de que será punido, afirmou. Também discordou de quem avalia que a operação recente no Rio de Janeiro, com 121 mortos, foi um sucesso.
“Não é admissível que, numa operação exitosa, morram quatro policiais”, declarou. Ele condenou a ideia de tratar os policiais como heróis, quando, na realidade, são trabalhadores. “Policial não é herói. Ele não usa capa. Usa equipamento de proteção individual. Policial é um trabalhador.”
Ainda sobre a operação no Rio, disse que não troca a "apreensão de um milhão de fuzis pela morte de um policial”. Também criticou o fato de a Polícia Civil não ter retomado o território dos complexos da Penha e do Alemão. "Duas horas depois, já tinha gente circulando de fuzil, oprimindo moradores".
Para Roberto José, a ação no estado fluminense serviu mais para mudar a agenda do debate público do que para causar danos ao Comando Vermelho. "Quem morreu na operação? Não morreu nenhum líder. Foi uma operação muito mais midiática, para trazer o tema da segurança pública”.
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