Cidade atingida por tornado dá exemplo
Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, teve 90% de sua estrutura destruída por um tornado na semana passada. Não recebeu visita de nenhum representante do governo federal, nem do presidente Lula da Silva (PT), nem um centavo de ajuda federal. Mas a união do estado, prefeitura, moradores e empresários está reerguendo a cidade.
Uma frota de 139 máquinas pesadas e uma mão de obra oficial e voluntária estão limpando as ruas da cidade, tirando os escombros deixados pela fúria do tornado, liberando aos poucos as ruas para o tráfego de pessoas e veículos. A equipe usa escavadeiras, retroescavadeiras, pás-carregadeiras, caminhões, tratores, caçambas e caminhões munck.
Parte desses equipamentos é da Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu e municípios vizinhos. A frota ganhou ainda o reforço de órgãos do Governo do Estado, como o DER-PR e a Defesa Civil Estadual, além de entidades privadas. O objetivo do mutirão é limpar os terrenos para que seja possível acelerar a reconstrução da cidade.
Aos poucos, os moradores começam a retomar a rotina, dentro do que é possível. As aulas na rede estadual, por exemplo, começaram a ser retomadas ainda nesta terça-feira, no Colégio Estadual Joaquim Nazario Ribeiro, que atende 115 estudantes. Ao longo da semana, outras instituições, menos afetadas, vão reabrir suas salas.
A Copel vai reconstruir, a partir desta quarta-feira, as entradas de serviço de energia (estruturas que conectam os imóveis à rede elétrica, o popular “postinho”) dos imóveis de Rio Bonito do Iguaçu para religar todas as unidades consumidoras do município à rede elétrica. Todo o serviço será custeado pela Copel.
Desde o fim de semana, as equipes da companhia estão mapeando as cosntruções já liberadas pela Defesa Civil para programar a reconstrução dos padrões de entrada de energia. Foram visitados 742 imóveis até o meio da tarde desta terça-feira, dos quais em 249 foi identificada a necessidade de obras para a conexão à rede.
Trabalhando de forma ininterrupta, a Copel já refez 75% da infraestrutura de distribuição, religando parte das casas e prédios, além da iluminação pública. Em apoio às famílias atingidas, a Copel suspendeu a cobrança de energia por um período de três meses, a fim de permitir o restabelecimento emocional e financeiro das famílias.
Em outra frente, a Rede Estadual de Manejo de Animais em Desastres (Remad) atendeu 2.300 animais, entre espécies domésticas e silvestres, desde sábado, em Guarapuava e Rio Bonito do Iguaçu. Os casos mais simples de cães e gatos são encaminhados para lares temporários cedidos pela própria comunidade após o tratamento inicial.
De forma improvisada, comerciantes vêm mantendo o atendimento, oferecendo produtos, refeições e até abrigo a voluntários e vizinhos. “A gente perdeu material, mas não perdeu a vida. E agora é correr atrás e reconstruir”, resume Anderson Moreira, gerente de uma loja de materiais de construção que foi totalmente destruída.
"Pedi pros colegas saírem mais cedo porque o tempo estava feio. Cinco minutos depois, o tornado passou e levou tudo. No mesmo dia, a gente começou a atender na outra unidade, sem luz, sem internet, só com um caderno e uma caneta. Pegava o CPF e o nome das pessoas pra anotar. O importante era ajudar”, contou.
Desde o início da semana, a Secretaria vem coordenando uma série de ações emergenciais, entre elas o cadastro de trabalhadores e empresários para garantir o acesso a programas de emprego e renda. Os empresários também devem fazer um registro para ter seus direitos resguardados.
Danilo Ferreira, presidente da Associação Comercial de Rio Bonito do Iguaçu, saiu animado após uma reunião entre Estado e empresários. “Vamos conseguir entrar em uma nova fase. Até ontem, estava difícil saber por onde começar, mas, com o apoio e a atenção do Estado, conseguimos pensar em um recomeço”, detalha.
“As equipes do governo e de municípios vizinhos estão em todo lugar. Tem caminhão chegando com lona, outro com pão, outro com cobertor. É bonito de ver. Agora, com as ações anunciadas pelo Estado, os empresários estão sentindo mais firmeza", completa.
No domingo, o empresário Luciano Hang, da Havan, enviou uma equipe para verificar os estragos, junto com uma carreta carregada com 1.200 toneladas de edredons e 330 travesseiros, entregues às famílias afetadas.
"Não tem como ficar indiferente diante de uma tragédia dessas. Nosso papel é estender a mão e fazer o que estiver ao nosso alcance. E faço um apelo: que outras pessoas, especialmente os empresários, também se inspirem e contribuam", convoca Hang.
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