Que diferença faz amanhã, Aldo Bastos
Que diferença faz amanhã
Se tive como banquete
As mais finas iguarias
Ou se me faltou o pão nosso de cada dia?
Que diferença faz amanhã
Se me fartei com os mais requintados fast-foods
Ou com caldo de cana e pastel na Feira de São Cristóvão?
Que diferença faz amanhã
Se comi saborosos morangos importados
Ou araçá verde da beira da estrada?
Que diferença faz amanhã
Se me embriaguei com os mais caros vinhos franceses
Ou com cachaça com limão de um boteco sujo
de uma esquina qualquer?
Que diferença faz amanhã
Se caminhei por Nova Iorque, Moscou, Londres e Paris
Ou no chão batido dos vilarejos esquecidos do meu país?
Que diferença faz amanhã
Se pisei em luxuosos tapetes persas
Ou nas tábuas toscas das palafitas do mangue?
Que diferença faz amanhã
Se me deitei com belas donzelas
Ou se fui para a cama com meretrizes do cais do porto?
Que diferença faz amanhã
Se tive na minha estante a literatura de Cervantes
Ou os versos rústicos do cordel do meu sertão?
Que diferença faz amanhã
Se rezei o pai nosso na Catedral de Notre Dame
Ou se paguei promessas na procissão
do Senhor dos Navegantes?
Que diferença faz amanhã
Se serei sepultado num suntuoso mausoléu de mármore
Ou numa cova rasa de um cemitério qualquer?
Que diferença faz?
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