Baiana se destaca com mel de cacau
A doutora Manuela Barreto, pesquisadora do Centro Tecnológico Agropecuário da Bahia (CETAB), faz sucesso com um trabalho focado no mel de cacau. Sua tese foi considerada a melhor área de Ciências Agrárias em 2024, pela Ufba e levou prêmio de melhor trabalho de Alimentos e Bebidas na Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química.
O estudo investigou o potencial nutritivo do mel de cacau e desenvolveu técnicas para aumentar o tempo de prateleira. Foi analisada a caracterização físico-química de quatro variedades de cacau cultivadas na Bahia: CCN51, PS1319, SJ02 e Parazinho. As três primeiras, híbridas, apresentaram melhor rendimento.
Elas também entregam a maior presença de compostos aromáticos frutados e adocicados, além de concentrações elevadas de minerais como zinco e magnésio. Frequentemente descartado durante o beneficiamento das amêndoas, o mel de cacau representa uma oportunidade econômica significativa para os produtores rurais.
“Esse líquido extraído da polpa do fruto antes da fermentação pode se tornar uma importante fonte adicional de renda para o setor”, explicou a pesquisadora. Ela conta que um dos principais desafios do mel de cacau sempre foi o pouco tempo de validade. Por isso, a pesquisa testou diferentes métodos de conservação.
Manuela identificou o ultrassom de alta intensidade como a maneira mais eficiente de preservar características do mel e aumentar sua durabilidade sem conservantes químicos. "O ultrassom amplia a vida útil do produto, sem comprometer sabor ou nutrientes", explica.
O estudo também comprovou o valor nutricional e sensorial do mel, destacando seu potencial como ingrediente funcional para a indústria alimentícia. Dessa forma, o trabalho abre caminho para que o mel de cacau se torne um novo item competitivo no mercado agroindustrial.
A pesquisa demonstrou ainda que a extração adequada do mel, sem comprometer a fermentação das amêndoas, permite diversificar a produção e agregar valor à cadeia produtiva. Entre as possibilidades de uso industrial estão bebidas finas, cosméticos e suplementos energéticos.
“As variedades analisadas são amplamente cultivadas na região, o que reforça o potencial prático dos resultados obtidos. Algumas se destacam pelo alto teor de minerais, outras pela aceitação sensorial ou pelos compostos fenólicos com benefícios à saúde. Essa diversidade mostra o quanto o cacau baiano tem a oferecer”, destaca.
Filha de produtores rurais de Presidente Tancredo Neves, Manuela cresceu acompanhando o pai na produção de cacau e na extração do mel. Foi lá que ela iniciou seus primeiros testes, transformando curiosidade em experimentação. Os ensaios começaram numa cooperativa local e ganharam força no CETAB.
“Com esse trabalho, retorno às minhas origens, com uma pesquisa que valoriza o conhecimento do campo e agrega valor à cadeia produtiva do cacau. É fruto de uma trajetória marcada por dedicação, afeto e raízes. Como se aprende na roça: há tempo de plantar e tempo de colher”, afirma Manuela.
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