Planos de Saúde dificultam tratamento

Oito em cada dez médicos que atendem clientes de planos de saúde afirmam já ter enfrentado restrições das operadoras ao prescrever exames laboratoriais ou de imagem. A informação consta de pesquisa das associações Médica Brasileira (AMB) e Paulista de Medicina (APM) com 3.043 profissionais de todo o país.

O levantamento aponta que 53% relataram interferências das empresas de convênios médicos nos tratamentos propostos. 51% disseram já ter tido dificuldades na hora de internar seus clientes e 53% afirmam já ter sofrido pressão para antecipar a alta médica de pacientes.

Além disso, 88% dos médicos alegam já ter presenciado pacientes abandonando os tratamentos devido ao aumento do custo para manter um convênio médico. “Verificamos quantas distorções a saúde suplementar vem experimentando no Brasil".

"Distorções de toda ordem, e que prejudicam não só os usuários, mas milhões de brasileiros que, dependentes do SUS, veem o sistema público ser sobrecarregados por usuários da saúde suplementar”, disse o presidente da APM, José Luiz Gomes do Amaral. "Há imensas alternativas no sentido de limitar a autonomia dos médicos".

“Claro que as operadoras de saúde suplementar precisam ser financeiramente saudáveis, sustentáveis, para prestarem a assistência, mas nos parece que a Agência Nacional de Saúde Suplementar [ANS] não tem tido a preocupação de auditar e verificar a rentabilidade destas empresas”, disse o presidente da AMB, César Eduardo Fernandes.

Ele cita reportagens sobre a lucratividade dos planos de saúde. “A saúde não se presta a gerar lucros abusivos. Precisamos ter mais transparência para o setor”. Eles destacaram que mais da metade (55%) dos 3.043 médicos atendem a clientes de planos de saúde há mais de 20 anos, e 51% têm convênio com cinco ou mais planos.

Consultada pela Agência Brasil, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), comentou que os planos e prestadores de serviço (incluindo médicos, hospitais, clínicas, laboratórios entre outros) são interdependentes e que “a parceria entre eles é essencial para a existência e funcionamento da saúde suplementar”.

“A Abramge defende a autonomia dos médicos no diagnóstico e no tratamento de enfermidades, o que é um princípio basilar da medicina. A autonomia, no entanto, não afasta a importância do desenvolvimento e aprimoramento das práticas médicas e dos protocolos clínicos". Com Abr.

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