Ação fala de joias e Maturino escondido

Uma lida no inteiro teor da ação do MPF contra os desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia traz revelações surpreendentes. Uma delas é a suspeita de que o "falso cônsul" Adailton Maturino ficou escondido no rancho da desembargadora Maria do Socorro (foto) durante as buscas policiais. Os dois estão presos.

A ação revela que Maturino foi considerado fugitivo em 26 de agosto de 2016 e, a partir daí, "as comunicações dos terminais de Kaio Fellipe, José Alves Pinheiro e Márcio Duarte acionaram ERB’s [Estações Rádio Base] em São Gonçalo dos Campos/BA, a esboçar que ali tenha sido sua possível alcova para garantia da impunidade".

Outra novidade é a acusação de que a promotora Ediene Lousado tentou interferir em outros órgãos para ajudar seus amigos, numa espécie de "blindagem institucional" para evitar que eles fossem investigados. No meio dessa história aparece o joalheiro Carlos Rodeiro, suspeito de lavagem de dinheiro.

Mensagens de WhatsApp entregues por ele mesmo indicam "que ela defenderia seus interesses e receberia joias e empréstimos, uma vez que, ante a magnitude do cargo ocupado, não se revela crível que a autoridade máxima do Parquet faça assessoria jurídica pro bono para ele".

Rodeiro cita um presente enviado para a então Procuradora-Geral da República Raquel Dodge, que tinha encontro marcado com Ediene. Em outra mensagem Ediene diz que Dodge "amou o presente" e compartilha uma foto das duas com colares iguais, ambos da joalheria de Rodeiro.

O MPF concluiu que este episódio "representa uma sistemática que aparenta possível tentativa de cooptação da máxima autoridade do Ministério Público brasileiro, responsável, em última instância, pelo desfecho da Operação Faroeste".

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