Gomes processa a própria fundação
Na sexta-feira, a Maternidade Ester Gomes anunciou a suspensão dos serviços de obstetrícia pelo SUS. Nesta segunda, o secretário municipal de Saúde, Uildson Nascimento, chamou o fechamento de "sem sentido" e disse que "só traz prejuízos para população carente que necessita dos serviços".
Segundo nota da Prefeitua, o secretário acionou a justiça para que a maternidade volte a atender os pacientes de obstetrícia e que, só depois, discuta o contrato com o município. O estranho é que a maternidade pertence à Fundação Fernando Gomes, justamente o prefeito da cidade.
O secretário diz que “por questões burocráticas", ao assumir a pasta ele cancelou o Chamamento Público que resultaria na renovação do contrato. "Mesmo sem o contrato, o pagamento da Maternidade continuou sendo feito, sem nenhuma interrupção”.
“Insatisfeita, a direção da maternidade acionou a justiça para obrigar o Município a apresentar o contrato, mas o fato é que em nenhum momento o município se negou, apenas houve atraso no chamamento”, disse o secretário sobre a briga do prefeito com a fundação que pertence a ele mesmo.
Uildson afirma que a justiça deu prazo de 15 dias (vencido nesta segunda-feira), para que o município apresentasse o contrato. “A direção do hospital não esperou vencer este prazo. Achou melhor se antecipar, suspendendo os serviços de obstetrícia logo na sexta-feira (4)”.
O caso é muito suspeito e começou com a não renovação do contrato que a Prefeitura tinha com o Hospital Manoel Novaes, passando a pediatria de baixa complexidade para a maternidade do prefeito, mesmo ela não tendo equipe capacitada nem o equipamento necessário para este tipo de atendimento.
Na sequência, o prefeito prometeu compensar a si mesmo aumentando o repasse para a sua maternidade, de R$ 365 mil para R$ 700 mil. Como comentou o secretário, a maternidade do prefeito preferiu acionar a Justiça contra a prefeitura para forçar o contrato imediato, e sem concorrência, com aumento.






