Coronel usa verba pública para si mesmo
O senador baiano Angelo Coronel, do PSD, usou R$ 566 mil da cota parlamentar para aumentar os lucros das empresas dele e de um ex-assessor que também é diretor das companhias. O levantamento abrange os anos de 2015 a 2018, quando Coronel era deputado estadual.
Ex-presidente da Alba e atual presidente da CPI das Fake News no Senado, Coronel fez 11 pagamentos à BS2 Marketing e Publicidade que somaram R$ 173 mil. A BS2 tem como dona a Corel Brasil Holding, que é presidida por Angelo Mario, filho do senador.
Já a Corel Brasil Holding tem como única sócia a Jet International Trading, uma empresa offshore sediada no Panamá cujo presidente é o próprio Angelo Coronel. A holding também é dona da Jet Gold Serviços Aéreos, a quem pertence o avião usado toda semana por Coronel entre Brasília e Salvador, abastecido com a cota parlamentar.
Coronel pagou outros R$ 392 mil da verba pública à XYZ Comunicação e Marketing, que pertence a seu ex-assessor de gabinete na Alba, Marcelo Cerqueira dos Santos. Marcelo é diretor de quatro empresas do Grupo Corel do senador. Até o endereço é conveniente.
A XYZ fica na sala ao lado da Jet Gold Serviços Aéreos e da Corel Brasil Holding. Perguntado pela Folha de São Paulo, Angelo Coronel desconversou. Ele alega que a cota parlamentar deve "ser confiada a pessoas de estrita confiança por ser estratégica para o mandato”. Mas não é isso o que diz o regulamento do Senado.
Coronel também diz que a BS2 era dirigida por Marcelo e que ele não é da família. Só esqueceu de contar que a empresa é da Corel Brasil Holding, presidida pelo Angelo Coronel Filho. Alegou ainda que a XYZ foi contratada "legalmente" e que Marcelo não tem ligação com a família.
Porém, além de dirigir a BS2, Marcelo é diretor em outras quatro firmas, todas pertencentes a Coronel, como comprovou uma consulta à Junta Comercial da Bahia feita pela Folha.






