Autos desmoralizam matéria de Veja

O ministro da Justiça e ex-juiz da Operação Lava Jato Sérgio Moro afirmou ontem (5) ser constrangedora para a revista Veja a revelação de que foram devidamente revelada nos autos os seus contatos telefônicos com procuradores do Ministério Público Federal (MPF), intimando os acusadores, pedindo urgência, já que havia réus presos.

A declaração do ministro publicada em sua conta do Twitter comentava uma matéria do site O Antagonista, que trata como “peça de propaganda” do jornalista Glenn Greenwald a reportagem publicada pela Veja, acusando o ex-juiz de manter conversas fora dos autos, via aplicativo de mensagens Telegram, com o procurador da República que coordena a força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

“Que constrangedor para a Veja a matéria abaixo. Será que tem resposta para isso ou vai insistir na fantasia, como na do juiz que favorece à acusação, mas que absolve os acusados no mesmo processo?”, reagiu Sérgio Moro, no Twitter.

Segundo O Antagonista, os autos de cadas um dos processos mencionados na “reportagem denúncia” registram devidamente os contatos telefônicos de Moro com pedidos e cobranças ao MPF. Sendo que em um desses contatos o juiz demonstra preocupação com o acusado, ao alertar para a urgência do caso, por se tratar de réu preso.

Sobre este caso específico, a Veja escreveu: “Em 2 de fevereiro de 2016, por exemplo, o juiz escreve a ele: ‘A odebrecht peticionou com aquela questao. Vou abrir prazo de tres dias para vcs se manifestarem’. Dalla­gnol agradece o aviso. Moro se refere ao questionamento da Odebrecht à Justiça da Suíça a respeito do compartilhamento de dados, incluindo extratos bancários, da empresa naquele país. Grosso modo, a empreiteira tentou impedir que o Ministério Público suíço enviasse dados à força-tarefa. Preocupado com a história, Moro pede notícias a Dalla­gnol no dia 3. ‘Quando será a manifestação do mpf?’, pergunta.”(sic).

O registro do contato, não mencionado pela revista, está no despacho de Moro daquele mesmo dia, disponível para consulta no sistema eletrônico da Justiça Federal do Paraná. Naquela ocasião, a “questão relativamente complexa” demandou o pedido pela manifestação do MPF. Do Diário do Poder.

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