Quadrilha de Ilhéus agia desde 2009
O promotor Frank Monteiro Ferrari informou em coletiva que, além da Secretaria de Desenvolvimento Social, o esquema de fraudes com licitação na Prefeitura de Ilhéus incluiu as de Educação, Saúde e Administração.
Também envolveu as secretarias de Desenvolvimento Urbano e de Agricultura e Pesca. O Ministério Público investiga as fraudes desde dezembro de 2015, quando viu indícios em um contrato da Secretaria de Desenvolvimento Social.
“No curso das investigações, verificamos que não se tratava de um caso pontual de fraude a procedimento licitatório. Aquela fraude, na verdade, se encartava dentro de um contexto de esquema sistemático de fraude".
Ele explica que o grupo agia desde 2009, fraudando contratos dirigidos com apoio do núcleo político. Eles dominaram o mercado de fornecimento de bens à administração pública, de alimentos e materiais de expediente.
A quadrilha montou empresas em nome de laranjas, que fraudavam as licitações, ganhavam os contratos e superfaturavam os preços ou não entregavam parte do material contratado.
“O dinheiro público era desviado e transferido para laranjas, com o fim de ocultar a verdadeira identidade dos seus reais beneficiários”, completa Ferrari.
Segundo o promotor, as investigações apontam que Enoch Andrade Silva é o operador do esquema. "Ele constituía as empresas com os nomes dos laranjas, como empregados e parentes próximos”.
Seis pessoas foram presas na Operação Citrus na madrugada desta terça-feira, 21. Foram presos os ex-secretários Jamil Chagouri Ocké e Kácio Clay Silva Brandão. Jamil foi eleito vereador no ano passado.
També, foram presos Enoch Andrade Silva, Thayane Santos Lopes, Wellington Andrade Novais e Lucival Bomfim Roque, além de cumpridos mais 6 mandados de condução coercitiva e 27 de busca e apreensão.
As buscas foram feitas na Prefeitura de Ilhéus e na Câmara de Vereadores. O MP estima que a quadrilha tenha lesado os cofres públicos em mais de R$ 20 milhões.
As empresas laranjas são Marileide S. Silva de Ilhéus, Mariangela Santos Silva de Ilheus EPP, Thayane L. Santos Magazine ME, Andrade Multicompras e Global Compra Fácil Eireli-EPP, todas geridas por Enoch Silva.
Também foi identificada a participação do empresário Noeval Santana de Carvalho, que celebrava contratos irregulares com o Poder Público para fornecimento de merenda escolar.





