Marinha teve papel essencial na independência
real do Brasil, conquistada em 2 de julho, quase 10 meses depois da data adotada oficialmente. Durante este período os portugueses continuaram controlando boa parte do país. A Marinha do Brasil teve seu batismo de fogo durante as lutas pela independência.
Na Bahia, os navios portugueses eram hostilizados pela flotilha de canhoneiras organizada e comandada pelo Patrão-Mor da Capitania dos Portos, João Francisco de Oliveira Bottas, conhecido como João das Botas, que usava como base a Ilha de Itaparica.
O esforço da “Flotilha Itaparicana” foi completado pela chegada à Bahia, em 4 de maio de 1823, da nova esquadra brasileira, comandada pelo Lord Thomas Cochrane, almirante inglês, contratado juntamente com outros oficiais e 500 marinheiros, para guarnecer os navios de nossa recém-criada Marinha.
Após um primeiro combate com os portugueses, a Força Naval brasileira impôs um bloqueio da entrada da Baía de Todos os Santos, além de frequentes ataques às belonaves lusas fundeadas, enfraquecendo o abastecimento e o poder das tropas inimigas, que finalmente abandonaram a Bahia em 2 de julho de 1823.
Eles fugiram a bordo de 78 navios carregados com tudo que encontraram de valor, escoltados por 13 navios de guerra, em direção à Europa. Uma perseguição se seguiu, inicialmente pela esquadra brasileira e, depois, somente pela Fragata “Nichteroy”.
A fragata tinha como um dos seus tripulantes o jovem voluntário Joaquim Marques Lisboa, futuro Marquês de Tamandaré e Patrono na Marinha do Brasil. Ele levou a bandeira verde e amarela às margens do rio Tejo em Portugal e resultou no apresamento, pelo Brasil, de mais de dois terços dos navios portugueses em fuga.
Enfrentamento longo
O movimento pela Independência da Bahia começou em 19 de fevereiro de 1822 e conseguiu a vitória em 2 de julho de 1823. Mas não era consenso. O partido Liberal queriam continuar ligados a Portugal, voltando ao estado anterior à Independência.
Em 14 de junho de 1822, quando a Câmara da Vila de Santo Amaro da Purificação firmou a proclamação e reconheceu a autoridade de D. Pedro I. Mas só um ano depois, ao custo de milhares de vidas em uma guerra interna contra os portugueses, a Independência realmente se deu.
De junho de 1822 a julho de 1823 a luta se prolongou entre o governo provisório da província, eleito em junho, favorável à independência, e as forças portuguesas sob o comando do brigadeiro Madeira de Melo, concentradas em Salvador.
Madeira de Melo contava com os comerciantes portugueses da cidade, os regimentos de Infantaria e Cavalaria, alem da Marinha Portuguesa. Por seu lado, os brasileiros na Bahia contavam com a Legião de Caçadores, o regimento de Artilharia e o 1º Regimento de Infantaria.
Melo passou a comandar uma junta militar, que enfrentava resistências. As tropas portuguesas estavam de prontidão, os marinheiros percorriam as ruas fazendo provocações e Madeira de Melo anunciou que, em qualquer ameaça à constituição, agiria sem consultar a Junta Militar.
Na madrugada do dia 19 de junho de 1821, ocorreram os primeiros tiros, no Forte de São Pedro, socorrido pelas tropas portuguesas vindas de São Bento. Salvador virou uma praça de guerra e os confrontos violentos ocorreram nas Mercês, na Praça da Piedade e no Campo da Pólvora.
As tropas portuguesas tomaram o quartel onde se reunia o 1º batalhão de Infantaria. Os marinheiros portugueses festejaram a vitória, atacaram casas, pessoas e invadiram o Convento da Lapa, matando sua abadessa, Sóror Joana Angélica.
Restava tomar o Forte de São Pedro. Madeira de Melo bombardeou a fortificação, uma das poucas inteiramente em terra. No dia seguinte, o forte rendeu-se, evitando-se o derramamento de sangue, o brigadeiro Manuel Pedro foi preso e enviado a Lisboa.
Os brasileiros na capital reagiram e, na procissão de São José (21 de março de 1822), os portugueses foram apedrejados. Os moradores debandavam, diante da chegada de reforços para Melo vindos por navio. Porém o mar foi também seu problema.
Em maio de 1823, a esquadra comandada por Thomas Cochrane bloqueou a baía e derrotou Madeira de Melo em 2 de julho. Ele não se rendeu, apenas fugiu com 4.500 soldados em 78 navios. A primeira tropa brasileira a entrar na capital foi a do coronel João de Souza Meira Girão.
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