Exercícios físicos combatem o envelhecimento
com efeitos que se refletem na saúde e no bem estar. O que há em comum entre Irene Obera, de 85 anos, com vários recordes mundiais de atletismo na sua faixa etária, e John Starbrook, de 87 anos, o homem mais velho a completar a maratona de Londres?
Ambos não bebem, não fumam, possuem uma alimentação balanceada e fazem prática regular de exercícios. Eles se enquadram em uma categoria chamada de masters: esportistas com mais de 35 anos.
Diversos estudos já demonstraram o efeito positivo dos exercícios no combate ao envelhecimento. Embora a medicina já tenha avançado com novos métodos de tratamento, ela ainda não pode fazer tudo, como, por exemplo, evitar a perda de massa muscular. Portanto, o que resta é a prática de atividades físicas - em poucas palavras, se movimentar com frequência. Na verdade, esses atletas apenas fazem o que os nossos antepassados já faziam.
O exercício físico retarda o envelhecimento, mas não porque essa seja uma prática contemporânea. Há milhares de anos atrás, os seres humanos eram caçadores-coletores, o que os tornavam fisicamente ativos. Essa análise é feita por Stephen Harridge, professor de Fisiologia Humana e Aplicada no King's College London e Norman Lazarus, professor emérito do King's College London e ciclista master com mais de 80 anos, em artigo publicado pela BBC.
“Muitas vezes confundimos os efeitos da falta de atividade física com o próprio processo de envelhecimento, e acreditamos que certas doenças são puramente resultado da idade avançada”, dizem os autores. Mas, na verdade, o grande vilão de toda essa história é o estilo de vida moderno. Ele é extremamente sedentário e colabora para o aparecimento de doenças como câncer e diabetes tipos 2 e doenças cardiovasculares.
No Brasil, o problema é ainda mais grave. Segundo estudo feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado na Revista científica The Lancet, a América Latina tem maior índice de sedentários, com 39% do total. A pesquisa foi feita em um período de 16 anos - de 2001 a 2016. O Brasil lidera a lista de países, com 47% da população sem praticar atividades físicas suficientes para uma vida saudável.
Em seguida estão Costa Rica (46%), Argentina (41%) e Colômbia (36%). Uruguai, Chile e Equador são os com os melhores índices, com, respectivamente, 22%, 26% e 27% da população sedentária. De acordo com a OMS, são necessários 150 minutos por semana de atividade moderada a intensa ou 75 minutos por semana de esforço físico forte para uma vida saudável. A conclusão do relatório também acusa o estilo de vida atual como consequência desses fatores de risco para determinadas doenças.
"A rápida urbanização fez com que as pessoas abandonassem lugares onde deveriam se exercitar para trabalhar, especialmente na agricultura, para instalar-se em cidades onde estão desempregadas ou têm empregos na indústria, muito mais sedentários e nos quais fazem movimentos repetitivos", afirmou a autora principal do estudo e especialista da OMS, Regina Guthold, na época em que o estudo foi divulgado.
Mas o que fazer, então, para retardar esses efeitos? Não tem escapatória: a solução é se mexer - o quanto antes melhor. Um estudo com adultos americanos com idades entre 50 e 71 anos mostrou que aqueles que se exercitaram entre duas e oito horas por semana desde a adolescência até os 60 anos possuem de 29% a 36% menos chances de morrer por em decorrência de qualquer causa ao longo do período de 20 anos em que o estudo foi conduzido.
Você não precisa ser um atleta de elite para se manter saudável; basta incorporar atividades pequenas regulares durante a sua vida para colher bons frutos no futuro, como caminhada acelerada e dança de salão, de acordo com os professores da King's College London.
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