Nordeste lidera em fome na pandemia

O fechamento da economia, principalmente do comércio e das atividades informais teve um peso enorme na vida da população. Segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da covid-19 no Brasil, feito pela Rede PENSSAN, mais da metade da população foi prejudicada pela pandemia.

O levantamento, feito em 2.180 domicílios nas cinco regiões do país, em áreas urbanas e rurais, entre 5 e 24 de dezembro, aponta que em 55,2% das casas as pessoas conviviam com a “insegurança alimentar”, ou seja, sem acesso permanente a alimentos. Em números absolutos, 116,8 milhões.

Desses, 43,4 milhões (20,5% da população) não contavam com alimentos em quantidade suficiente e 19,1 milhões (9% da população) estavam passando fome. É um cenário que não deixa dúvidas de que a combinação das crises econômica, política e sanitária provocou o crescimento da fome.

O problema é maior nas regiões Nordeste e Norte, onde a combinação de lockdowns, toque de recolher, falta de auxílio estadual, levou à perda de empregos, fechamento de empresas, falta de renda para os informais. Ao mesmo tempo, nenhuma dessas medidas reduziu o impacto da pandemia, até por falta de testagem e tratamento.

Em 2020, o índice de insegurança alimentar esteve acima dos 60% no Norte e chegou ao recorde de 70% no Nordeste, enquanto o percentual nacional é de 55,2%. É justamente a região onde os governadores preferiram fechar tudo do que atacar a pandemia em seus focos, fazer testagem em massa e isolar os assintomáticos.

A fome, que afetou 9% da população brasileira, també é muito maior no Norte, com 18,1%, e Nordeste, com 13,8%. Também é o Nordeste que apresenta o maior número absoluto de pessoas sem comida, quase 7,7 milhões. Já no Norte viviam 14,9% das pessoas com fome.

Além disso, a condição de pobreza da população rural, seja de agricultores familiares, quilombolas, indígenas ou ribeirinhos, tem reflexo importante na segurança alimentar. Nessas áreas, em todo o país, a fome se mostrou uma realidade em 12% dos domicílios.

A mostra ainda apontou que em 11,1% dos domicílios chefiados por mulheres a família passava fome, contra 7,7% nas que tem um homem como provedor. A fome esteve em 10,7% das residências habitadas por pessoas pretas e pardas, contra 7,5% daquelas de pessoas brancas.

A fome estava em 14,7% dos lares onde a pessoa de referência não tem escolaridade ou só o Ensino Fundamental incompleto. Com fundamental completo ou médio incompleto a taxa é de 10,7%. E em lares chefiados por pessoas com médio completo em diante, ela despenca para 4,7%.

A fome vem acompanhada de muitas outras carências, destacadamente a falta de água. A insegurança hídrica, medida pelo fornecimento irregular ou falta de água potável, atingiu 40,2% dos domicílios do Nordeste e 38,4% do Norte em 2020. Esses percentuais são quase três vezes superiores aos das outras regiões.

A falta de água para lavar as mãos e objetos é um dos fatores decisivos para evitar a contaminação pelo coronavirus. Além disso, a proporção de domicílios rurais com pessoas sem comida dobra quando não há disponibilidade adequada de água para a produção de alimentos (de 21,8% para 44,2%).

Cerca de metade dos entrevistados relatou redução da renda familiar durante a pandemia, provocando inclusive cortes nas despesas essenciais. Esses lares constituem o grupo com maior proporção de insegurança alimentar leve, por volta de 40%. Eram famílias com renda suficiente antes dos lockdowns e toques de recolher.

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